Coronel Henguel assume secretaria-executiva da SSP-SP nesta segunda-feira
Henguel assume SSP-SP; Tarcísio escolhe novo número dois

Coronel Henguel assume como novo secretário-executivo da SSP-SP

O coronel Henguel Ricardo Pereira assume oficialmente nesta segunda-feira (2) o cargo de secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Ele substitui o coronel Paulo Maculevicius Ferreira, que ocupava a posição de número dois da pasta durante a gestão do ex-secretário Guilherme Derrite.

Perfil do novo secretário-executivo

Henguel Ricardo Pereira transferiu-se para a reserva no último dia 30 de janeiro, após quase quatro décadas de carreira militar. Desde 2022, ainda no governo de Rodrigo Garcia, acumulava as funções de secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil.

O nome do coronel para a secretaria-executiva representa uma escolha pessoal do governador Tarcísio de Freitas, marcando o encerramento da influência de Guilherme Derrite na administração da segurança pública paulista. Derrite deixou o cargo em dezembro para retornar à Câmara dos Deputados e iniciar articulações para sua candidatura ao Senado nas eleições de outubro.

Contexto histórico e polêmica

O coordenador da Defesa Civil foi um dos militares denunciados à Justiça pelo chamado massacre da Castelinho, ação policial ocorrida em março de 2002 que resultou na morte de doze homens supostamente ligados ao PCC. Em 2014, o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação penal e absolveu Henguel junto com outros cinquenta e dois acusados.

Na nova estrutura da SSP-SP, Henguel trabalhará ao lado do delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que assumiu a secretaria em dezembro após a saída de Derrite. Nico atuava como secretário-executivo durante a gestão anterior e sua nomeação para o cargo máximo também foi decisão do governador Tarcísio.

Trajetória do secretário Osvaldo Nico Gonçalves

Conhecido como doutor Nico dentro da corporação, Osvaldo Nico Gonçalves é um dos rostos mais midiáticos da polícia paulista. Em 2022, foi indicado pelo então governador Rodrigo Garcia como novo delegado-geral da Polícia Civil do Estado.

Sua carreira inclui participação em casos emblemáticos:

  • Sequestro da filha do apresentador Silvio Santos em 2001
  • Caso de racismo envolvendo o jogador Grafite em 2005
  • Prisão do ex-assessor da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, em 2020

No episódio mais famoso, Nico entrou em campo após partida entre São Paulo e Quilmes pela Copa Libertadores da América para prender o jogador argentino Leandro Desábato, acusado de injúria racial contra Grafite. O caso ganhou repercussão internacional.

Formação e experiência profissional

Osvaldo Nico ingressou na Polícia Civil em 1979 como investigador. Antes de assumir o cargo de delegado-geral, era responsável pelo Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) desde 2019.

Sua trajetória inclui passagens por unidades de elite:

  1. Chefia do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC)
  2. Comando do Grupo Armado de Repressão a Roubos (GARRA)
  3. Participação no Grupo Especial de Resgate (GER)
  4. Ajuda na fundação do Grupo de Operações Especiais (GOE) paulista

Nico também comandou a segurança de grandes eventos nacionais, incluindo a visita do Papa em 2007 e a Copa do Mundo de 2014. Sua relação com a polícia começou ainda na infância, quando trabalhava como engraxate na porta do 17º Distrito Policial do Ipiranga e era incentivado pelo delegado Aldo Galiano.

A nova dupla à frente da SSP-SP combina experiência militar e policial, com Henguel trazendo sua bagagem de quase quarenta anos nas forças de segurança e Nico aportando mais de quatro décadas de atuação na Polícia Civil. A mudança na liderança executiva da pasta ocorre em um ano eleitoral, com expectativas sobre o impacto nas políticas de segurança do estado mais populoso do país.