Disputa no PT pela vaga de Lewandowski no Ministério da Justiça envolve Banco Master e INSS
PT disputa vaga no Ministério da Justiça; caso Master pesa

A disputa pela sucessão do ministro Ricardo Lewandowski no comando do Ministério da Justiça se transformou em uma guerra interna no Partido dos Trabalhadores (PT) e no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto a ala paulista do partido tenta convencer o presidente a escolher um nome de São Paulo, um grupo de petistas baianos se mobiliza para garantir que um aliado de confiança, especialmente do líder do governo, Jaques Wagner, assuma o cargo.

O peso das investigações da Polícia Federal

Segundo relatos de auxiliares próximos a Lula, a movimentação dos baianos é estratégica e tem um motivo claro: o avanço das investigações da Polícia Federal sobre os negócios do Banco Master no estado da Bahia. A operação Compliance Zero, que prendeu o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banco de Daniel Vorcaro, é vista como uma ameaça política de grandes proporções.

Augusto Lima é considerado uma figura com potencial para causar sérios danos ao cenário político baiano neste ano eleitoral, caso resolva falar abertamente sobre suas relações com integrantes do PT no estado e detalhar como eram conduzidos os negócios do banco. Controlar o ministério que supervisiona a PF é visto, nos bastidores, como um "grande trunfo" em um momento de investigações sensíveis.

Os nomes em jogo e a blindagem da PF

Um dos nomes mais cotados para assumir a pasta da Justiça é o do advogado Wellington César Lima e Silva, que atualmente ocupa um cargo na Petrobras e goza da total confiança das lideranças petistas na Bahia. A escolha de Lima e Silva, ou de qualquer outro nome ligado ao petismo, não significa, em tese, uma ameaça direta às investigações, uma vez que a Polícia Federal possui mecanismos para se proteger de interferências políticas.

No entanto, a nomeação alimenta o clima de intriga e disputa por poder dentro do palácio, um ambiente muito familiar ao partido. "A pressa para escolher o novo ministro da Justiça vem dessa urgência da ala baiana do PT. Informação é poder e comandar o ministério que dita a música na Polícia Federal, com um caso do tamanho do Master na praça, é um grande trunfo", revelou uma fonte palaciana.

Outro front sensível: o escândalo do INSS

Além do caso Banco Master, outro ponto que preocupa a cúpula do PT e o próprio presidente Lula é a investigação da PF sobre o escândalo do INSS. As apurações envolvem petistas de destaque e uma série de operadores do partido ligados a escândalos anteriores. Ter um ministro de confiança à frente da Justiça poderia oferecer maior capacidade de antecipação e gestão dos desdobramentos políticos dessas investigações.

A corrida pela vaga, portanto, vai muito além de uma simples indicação para um cargo no primeiro escalão. Ela representa uma disputa estratégica por controle de informação sensível e poder de influência em um ano eleitoral e diante de processos que podem gerar abalos significativos. A decisão final do presidente Lula, esperada para breve, definirá qual grupo interno sairá fortalecido neste complexo jogo de xadrez político.