PGR pede ao STF exclusão de verbas próprias do MPU do arcabouço fiscal
PGR quer verbas do MPU fora do arcabouço fiscal

PGR busca no STF isenção de verbas do MPU do arcabouço fiscal

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou um pedido formal ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que as verbas próprias do Ministério Público da União (MPU) sejam excluídas do arcabouço fiscal. A medida visa garantir que os recursos arrecadados diretamente pelo órgão não fiquem submetidos ao limite de gastos estabelecido pelo governo federal.

Argumentos centrais da Procuradoria-Geral

Na petição, Gonet defende que a inclusão dessas receitas no arcabouço fiscal viola a autonomia financeira do Ministério Público. Ele alerta que a restrição pode comprometer funções essenciais ao sistema de justiça, afetando diretamente a capacidade operacional do órgão. O procurador-geral solicita urgência na análise do caso, destacando o risco de que recursos orçamentários imprescindíveis deixem de ser entregues ao MPU.

Origem das verbas em questão

Segundo dados do Portal da Transparência, o Ministério Público Federal arrecadou aproximadamente R$ 2 milhões no ano passado através de fontes próprias. Esses valores provêm de:

  • Aluguéis e arrendamentos de prédios públicos
  • Multas e juros decorrentes de contratos firmados pelo órgão
  • Inscrições em concursos e processos seletivos internos

A ação judicial busca assegurar a destinação exclusiva dessas receitas para o custeio das atividades do Ministério Público, sem interferências do teto de gastos.

Estratégia baseada em precedente do Judiciário

A iniciativa da PGR se inspira em uma ação anterior movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que resultou na exclusão de verbas próprias do Poder Judiciário do arcabouço fiscal. Gonet argumenta que existe uma simetria constitucional entre a magistratura e o Ministério Público, justificando a extensão do mesmo benefício.

O procurador-geral sustenta que essa equiparação é uma decorrência direta do tratamento equivalente previsto na Constituição Federal entre os dois órgãos. Inicialmente, a PGR havia apresentado um pedido no processo da AMB, mas como não houve análise pelo STF, optou-se por uma ação autônoma.

Composição do Ministério Público da União

O MPU é formado por quatro ramificações principais:

  1. Ministério Público Federal
  2. Ministério Público do Trabalho
  3. Ministério Público Militar
  4. Ministério Público do Distrito Federal

O processo foi distribuído ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, que ainda não se manifestou sobre o caso.

Contexto do arcabouço fiscal

O arcabouço fiscal foi implementado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como substituto do teto de gastos, com o objetivo de controlar as despesas da União. A legislação atual exclui do limite de gastos as receitas próprias de algumas entidades federais, como:

  • Universidades públicas
  • Empresas públicas que prestam serviços a hospitais universitários
  • Instituições científicas e tecnológicas

No entanto, o governo manteve a inclusão das verbas do Poder Judiciário e do Ministério Público no arcabouço, argumentando a necessidade de assegurar a economia de recursos públicos. A ação da PGR desafia essa decisão, reivindicando tratamento igualitário para o MPU.