O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue em uma espera estratégica pelo momento mais adequado para formalizar, perante o Congresso Nacional, a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha, anunciada há quase dois meses, ainda não foi enviada oficialmente ao Legislativo na forma de uma mensagem presidencial.
O impasse político e a busca por apoio
A decisão de Lula de nomear o atual Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para ocupar a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso – que antecipou sua aposentadoria – não foi recebida com unanimidade. A movimentação gerou reações críticas, especialmente no núcleo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O senador, conforme apurado, tentava viabilizar a indicação de Rodrigo Pacheco para o posto. Esse desacordo inicial e o temor de uma possível derrota da indicação de Messias em uma votação no Senado levaram o Planalto a segurar o envio da mensagem oficial. Essa cautela contribuiu diretamente para que a análise dos senadores sobre o nome fosse adiada para o ano de 2026.
Diálogo em andamento e clima mais otimista
Nos últimos meses, porém, o cenário começou a apresentar sinais de mudança. Lula e Alcolumbre mantiveram conversas por telefone e até um jantar no Palácio da Alvorada no final do ano passado. Esses encontros parecem ter surtido efeito positivo.
Auxiliares do governo e aliados do presidente reconhecem que houve uma melhora no ambiente político em torno da aprovação de Jorge Messias. Apesar do otimismo crescente no Planalto, a avaliação interna é de que a partida ainda não está ganha e exige mais esforços de negociação e diálogo.
O timing final depende de novo encontro
O passo decisivo – o envio da mensagem presidencial ao Congresso – só será dado após uma nova reunião entre o presidente Lula e o chefe do Senado, Davi Alcolumbre. Esse encontro está previsto para ocorrer entre a última semana de janeiro e a primeira semana de fevereiro.
A expectativa entre os aliados do petista é que, se o clima positivo se confirmar, a mensagem seja finalmente despachada para o Legislativo ainda na primeira quinzena de fevereiro. Tudo, no entanto, está condicionado à consolidação de uma relação mais harmoniosa entre os Poderes Executivo e Legislativo neste processo específico.
O caso ilustra a complexa dinâmica política por trás das nomeações para o Supremo, onde a habilidade negociadora e a escolha do momento certo são tão cruciais quanto o mérito do indicado.