Gilmar Mendes sai em defesa de Toffoli no Supremo Tribunal Federal
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou suas redes sociais nesta segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, para manifestar apoio público ao colega Dias Toffoli. A declaração ocorre em um momento de intensa pressão sobre Toffoli, que é alvo de questionamentos devido à sua condução do caso envolvendo o Banco Master e potenciais conflitos de interesse com investigados.
Defesa pública e referência à Procuradoria-Geral
Em publicação na plataforma X, Gilmar Mendes destacou a trajetória de Toffoli, afirmando que ela é "marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições". O ministro ressaltou ainda que, no exercício da jurisdição, a atuação de Toffoli observa os parâmetros do devido processo legal.
O texto faz referência direta a um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que negou o afastamento de Toffoli do caso. "Sua atuação foi objeto de apreciação da Procuradoria-Geral da República, que reconheceu a regularidade de sua permanência no caso", escreveu Gilmar.
Ele finalizou a mensagem enfatizando que "a preservação da independência judicial e o respeito às instâncias institucionais são condições indispensáveis para o diálogo republicano e para a confiança da sociedade nas instituições".
Contexto de pressões e medidas controversas
A defesa de Gilmar Mendes surge em um cenário onde Toffoli enfrenta crescentes cobranças para deixar a supervisão do inquérito do Banco Master. Em conversas com interlocutores, o próprio Toffoli afirmou que, no momento, descarta abdicar do processo, por não enxergar elementos que comprometam sua imparcialidade.
Entre as medidas adotadas pelo ministro na condução do caso, destacam-se:
- Imposição do mais alto grau de sigilo às investigações.
- Realização de acareação entre investigados e um diretor do Banco Central.
- Armazenamento de provas em seu gabinete pessoal.
Vale notar que parte dessas decisões foi posteriormente revertida, aumentando as críticas sobre sua atuação.
Potenciais conflitos de interesse e reações políticas
Além das questões processuais, vieram à tona potenciais conflitos de interesse envolvendo Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Revelações apontam que dois irmãos e um primo do ministro foram sócios do cunhado de Toffoli no Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.
No plano político, a situação tem gerado desconforto no Palácio do Planalto. Nesta mesma segunda-feira, a Folha de S. Paulo divulgou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está irritado com Toffoli, considerando que o caso causa um desgaste institucional ao Supremo.
Segundo relatos de auxiliares, Lula tem dito em conversas privadas que Toffoli deveria abrir mão da condução do inquérito ou, em última instância, renunciar à sua cadeira no tribunal. Em um almoço recente, o petista comentou que o magistrado teria a chance de "fazer a coisa certa e resgatar sua biografia".
Articulações internas no STF
A defesa de Toffoli não se limita a Gilmar Mendes. Na semana passada, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, também publicou uma nota oficial em apoio à atuação do colega. Nos bastidores, Fachin articula pela implementação de um Código de Ética para a corte, em uma tentativa de fortalecer a governança interna do tribunal.
Este episódio evidencia as tensões dentro do Supremo e as complexas relações entre os poderes, em um momento delicado para a imagem da mais alta corte do país.