O grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro definiu uma linha de ação para os próximos anos, com o objetivo claro de manter seu protagonismo no cenário nacional. A estratégia central envolve intensificar as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, sustentando uma narrativa de perseguição política. O movimento é visto como uma tentativa de se manter em evidência nas redes sociais, na mídia e no tabuleiro político que antecede a disputa pela Presidência da República em 2026.
Narrativa de perseguição e reação à decisão do STF
Um dos episódios recentes que ilustra essa tática ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes. O magistrado negou, no início de janeiro de 2026, um pedido para que Jair Bolsonaro cumprisse prisão domiciliar, após passar dias internado. Moraes argumentou que os advogados do ex-presidente não apresentaram elementos novos e citou a "total ausência dos requisitos legais" para a mudança, além de reiterados descumprimentos de medidas cautelares.
A resposta veio por meio de Carlos Bolsonaro, que publicou uma carta de forte teor. O vereador acusou o ministro de violar garantias constitucionais e de praticar abuso de poder. "O que está em curso no Brasil não é a aplicação rigorosa da lei, mas um exercício reiterado de abuso de poder", escreveu. Ele também vinculou a permanência do pai na sede da Polícia Federal a riscos físicos, mencionando o caso da morte de Clezão, um segurança, como exemplo das consequências de um sistema que, em sua visão, normalizou a arbitrariedade.
Aproveitando vacilos do governo e a pré-candidatura de Flávio
Paralelamente aos ataques ao Judiciário, o círculo bolsonarista pretende capitalizar qualquer deslize ou notícia negativa envolvendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é tentar emplacar a tese de que o país precisa evitar uma renovação petista por mais quatro anos em 2026. A percepção que será compartilhada entre aliados é de que apenas um nome muito próximo ao grupo teria força eleitoral para derrotar Lula.
Nesse contexto, a movimentação do senador Flávio Bolsonaro ganha destaque. O filho do ex-presidente já lançou sua pré-candidatura à Presidência, um movimento que, segundo a análise, causou descontentamento entre parlamentares do Centrão, que prefeririam um nome com maior capacidade de negociação e menos associado diretamente à família.
Conclusão: Uma estratégia de longo prazo
A manobra política desenhada pelo clã bolsonarista e seus aliados mais próximos aposta em um duplo caminho para se manter no centro do debate público até 2026. De um lado, a confrontação permanente com o STF e a manutenção da narrativa de perseguição, usando decisões judiciais como mote. De outro, a tentativa de erosionar a imagem do governo Lula e posicionar um de seus nomes como a única alternativa viável. Este jogo de xadrez político, que mesga justiça, mídia e eleições, promete definir os rumos da oposição nos próximos anos.