Toffoli concentra ações do caso Master e irmãos vendem parte de resort a fundo investigado
Caso Master: Toffoli concentra ações e irmãos vendem resort

Toffoli centraliza ações do caso Master no STF e transação familiar com resort gera polêmica

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu o controle de todas as ações judiciais relacionadas ao caso do Banco Master em dezembro de 2025, concentrando em sua relatoria investigações que tramitavam em diversas instâncias da Justiça. Desde então, medidas consideradas atípicas tomadas pelo magistrado no processo têm gerado uma onda de críticas no cenário político e jurídico brasileiro.

Revelação de transação imobiliária envolve familiares do ministro

Nos últimos dias, uma nova revelação ampliou as controvérsias em torno do caso. Foi divulgado que fundos vinculados ao Banco Master adquiriram a participação que os irmãos de Toffoli detinham em um resort localizado na cidade de Ribeirão Claro, no interior do Paraná. A informação foi inicialmente publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmada pela TV Globo, levantando questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Entenda o caso Master e as investigações da Polícia Federal

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, investiga suspeitas de operações financeiras irregulares praticadas pelo Banco Master. Entre as principais irregularidades apontadas pelos investigadores está a emissão de aproximadamente R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessas de juros superiores às taxas de mercado, sem que o banco comprovasse ter liquidez suficiente para honrar esses títulos no futuro.

Para criar uma aparência de solidez financeira, o Master teria aplicado parte dos recursos captados por meio dos CDBs em ativos inexistentes, adquirindo créditos de uma empresa denominada Tirreno. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso durante a operação, mas posteriormente foi liberado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) com a imposição de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a obrigação de comparecimento periódico à Justiça enquanto as investigações prosseguem.

Detalhes da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá

O empreendimento em questão é o resort Tayayá. Os irmãos do ministro, José Carlos e José Eugênio Toffoli, foram sócios do negócio entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025. A aquisição das cotas por parte deles ocorreu por meio da Maridt Participações, uma empresa de sua propriedade registrada na Receita Federal com um capital social simbólico de R$ 150.

Os negócios foram realizados com as empresas Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas integrantes da estrutura do resort e fundadas por Mario Umberto Degani, primo de Dias Toffoli. Nos registros da Junta Comercial do Paraná, consta apenas a compra das cotas, sem a especificação do valor pago pelos irmãos do ministro. Em uma das transações, a aquisição de cotas da DGEP, o documento informa que a operação se deu por compensação de crédito detido pela Maridt contra a sociedade do resort, indicando uma troca de dívidas por participação societária.

Conexão com o caso Master e atuação do fundo Arleen

A Reag, uma operadora de fundos investigada no caso Master, é suspeita de ter montado, em conjunto com o Banco Master, um esquema de operações combinadas que circulavam dinheiro entre fundos previamente organizados para gerar lucros artificiais. Em agosto do ano passado, a Reag também foi alvo de busca e apreensão na Operação Carbono Oculto, que mirava esquemas de lavagem de dinheiro ligados à facção criminosa PCC.

Um fundo administrado pela Reag, chamado Arleen, foi utilizado para comprar parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá e na DGEP Empreendimentos. Embora o fundo Arleen não seja investigado diretamente pela Carbono Oculto nem citado nas apurações sobre o Banco Master, dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelam que ele investiu um total de R$ 20 milhões nessas empresas.

Em setembro de 2021, o fundo Arleen pagou mais de R$ 3 milhões por metade da participação dos irmãos de Toffoli nas sociedades. Como o valor inicial pago por eles não consta nos registros oficiais, não é possível determinar se houve lucro na transação. Após a venda, os irmãos permaneceram com uma fração minoritária no resort, mantendo uma sociedade com o fundo Arleen até fevereiro de 2025, quando a família Toffoli vendeu sua participação remanescente. O fundo Arleen deixou a sociedade em julho de 2025.

Endereço da empresa familiar e declarações da cunhada do ministro

O endereço da Maridt Participações, empresa dos irmãos de Toffoli, registrado na Junta Comercial de São Paulo, corresponde à residência de José Eugênio Toffoli. Em visita ao local, repórteres do O Estado de S. Paulo confirmaram que ele ainda mora no endereço com a esposa, Cássia Pires Toffoli.

Em entrevista ao jornal, Cássia afirmou não ter conhecimento de que a casa servia como sede da Maridt e negou qualquer ligação do marido com o resort. "Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa. Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na junta comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro", declarou ela em vídeo.

Seguranças do STF e diárias pagas na região do resort

Nesta quinta-feira (22), uma reportagem do jornal O Globo revelou que o STF pagou 128 dias de diárias a seguranças em viagens realizadas para a região onde está localizado o resort Tayayá entre 2022 e 2025, incluindo períodos de feriados, finais de semana estendidos e recesso do Judiciário. O custo total dessas diárias atingiu a cifra de R$ 460 mil. É prática comum que ministros do Supremo viajem acompanhados por seguranças, mas a concentração de despesas naquela região chamou a atenção.

Decisões polêmicas de Toffoli no caso Master

Entre as medidas adotadas por Toffoli que geraram controvérsia no âmbito do caso Master, destacam-se:

  • A restrição do acesso da Polícia Federal a celulares apreendidos durante as operações policiais;
  • A determinação de uma acareação entre técnicos do Banco Central, responsáveis por decretar a liquidação do Banco Master, e executivos da instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Essas decisões, somadas às revelações sobre as transações imobiliárias envolvendo seus familiares, têm alimentado debates sobre a atuação do ministro e os desdobramentos de uma das maiores investigações financeiras do país.