A operação militar conduzida pelos Estados Unidos na madrugada de sábado (3), que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, desencadeou uma onda de reações entre venezuelanos que vivem no exterior. Enquanto alguns celebraram nas ruas, outros protestaram veementemente contra a ação norte-americana.
Reações Divididas ao Redor do Mundo
De acordo com a agência Reuters, atos públicos de venezuelanos ocorreram em diversos países durante o fim de semana. Em nações latino-americanas como Colômbia, Peru e Equador, além da Espanha, grupos se reuniram para comemorar a queda de Maduro. Cidades como Bogotá, Lima, Quito e Madrid foram palco dessas manifestações.
Na Cidade do México, a situação ficou particularmente tensa. Venezuelanos e mexicanos, tanto a favor quanto contra a intervenção militar, organizaram protestos simultâneos em frente às embaixadas da Venezuela e dos Estados Unidos. A polícia local precisou intervir para conter os ânimos e evitar conflitos entre os grupos com visões opostas.
Em Buenos Aires, Argentina, a divisão também foi evidente. Movimentos sociais e venezuelanos contrários à ação protestaram em frente à embaixada dos EUA. Enquanto isso, outro grupo se reuniu no Obelisco da cidade para festejar a captura do líder venezuelano.
A Perspectiva da Diáspora Venezuelana
A crise humanitária e política na Venezuela forçou um êxodo massivo de sua população. Desde 2014, aproximadamente 20% dos venezuelanos deixaram o país, segundo dados da plataforma R4V, um consórcio de ONGs regionais criado pela agência de migração da ONU. Os principais destinos foram a Colômbia, que acolheu 2,8 milhões de pessoas, e o Peru, com 1,7 milhão.
Na Espanha, país que recebeu cerca de 400 mil venezuelanos, Andrés Losada expressou sentimentos conflitantes à Reuters. "Estou lutando entre a preocupação e a alegria", disse ele, que vive há três anos no país europeu. "Embora o que as pessoas estejam passando em Caracas seja difícil, acredito que, além disso, há uma luz que nos levará à liberdade", acrescentou.
Em Quito, a venezuelana Maria Fernanda Monsilva depositou suas esperanças em Edmundo González, principal candidato da oposição nas eleições presidenciais de 2024. "Muitos de nós que estamos no exterior queremos voltar", afirmou ela, refletindo o desejo de retorno de parte da diáspora.
Desdobramentos Políticos e Críticas
O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, anunciou que Maduro e Flores serão julgados em solo americano por suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Além disso, Washington declarou sua intenção de administrar a Venezuela "até que se possa realizar uma transição segura, adequada e criteriosa".
Trump também afirmou que empresas americanas passarão a controlar o setor de petróleo venezuelano, que detém as maiores reservas comprovadas de óleo e gás do mundo.
Em resposta, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) decidiu que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, deve assumir a presidência de forma interina. Em Caracas, capital que foi alvo do ataque, manifestantes repudiaram a intervenção estrangeira.
José Hernandez, um dos participantes do protesto na capital venezuelana, foi enfático: "Os outros países do mundo precisam ter muita clareza sobre o modo completamente criminoso com que os Estados Unidos estão agindo. Isso é extrair, ou melhor, roubar recursos de outros países que têm energia e minérios".
Nos próprios Estados Unidos, houve registros de protestos contra o ataque em cidades como São Francisco e Nova York, ao lado de grupos de venezuelanos que celebraram a ação. O cenário global mostra uma diáspora profundamente dividida em relação ao futuro de seu país.