Venezuela ordena prisão de todos os americanos após captura de Maduro
Venezuela ordena prisão de americanos após captura de Maduro

O governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, decretou uma ordem de busca e captura nacional contra todos os cidadãos americanos envolvidos na operação militar que resultou na prisão do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A medida foi uma resposta direta à ação dos Estados Unidos, que no sábado, 3 de janeiro de 2026, capturou o casal em Caracas através de uma incursão armada que incluiu bombardeios à capital venezuelana.

Operação Norte-Americana e Consequências Imediatas

A captura de Maduro e Cilia Flores foi um evento dramático. Segundo relatos da CNN, militares americanos invadiram o quarto do casal durante a madrugada e os retiraram à força. Eles estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana, conforme informou Nahum Fernández, líder do partido governista venezuelano, à Associated Press.

O ataque resultou em pelo menos 40 mortes, de acordo com informações publicadas pelo jornal The New York Times. O presidente dos Estados Unidos na época, Donald Trump, afirmou em entrevista à Fox News que assistiu ao vivo à transmissão da captura, feita por agentes que participaram da missão.

No domingo, 4 de janeiro, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina do país pelos próximos 90 dias, decisão que foi referendada pela Câmara Constitucional da Suprema Corte do país.

Acusações e Audiência nos Estados Unidos

Nicolás Maduro e Cilia Flores foram transportados para os Estados Unidos e estão presos no Brooklyn, em Nova York. Eles compareceram a uma audiência perante o juiz distrital Alvin K. Hellerstein na segunda-feira, 5 de janeiro, às 12h (horário local).

As acusações contra o ex-líder venezuelano são graves. Um novo indiciamento divulgado no sábado pelos promotores de Manhattan alega que Maduro supervisionou pessoalmente uma vasta rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado. A rede teria parcerias com grupos criminosos de alto poderio, como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

O documento acusatório detalha que Maduro usou sua autoridade e as instituições do Estado para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Entre as alegações específicas estão:

  • Movimentar carregamentos de cocaína sob proteção policial quando era membro da Assembleia Nacional.
  • Fornecer passaportes diplomáticos a traficantes de drogas conhecidos.
  • Facilitar cobertura diplomática para que criminosos mexicanos repatriassem dinheiro ilícito da Venezuela.

Além de Maduro e sua esposa, também são réus no processo o filho do ex-presidente, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua.

Reação Venezuelana e Enquadramento Legal

A ordem de prisão emitida pelo governo de Delcy Rodríguez foi decretada ainda no dia da detenção de Maduro, mas publicada na íntegra apenas na segunda-feira, 5 de janeiro. O decreto instrui a polícia a iniciar imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos.

Do lado norte-americano, o caso ganha contornos de segurança nacional. Maduro é acusado de narcoterrorismo, sendo enquadrado como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos com base em uma lei criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. O procurador Jay Clayton afirmou que Maduro permitiu que a "corrupção alimentada pela cocaína florescesse" para benefício próprio, de seu regime e de seus familiares.

Este indiciamento formal é o instrumento legal que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais, mesclando direito penal, direito internacional e questões de segurança nacional para justificar a ação contra o ex-líder venezuelano.