O governo da Venezuela, sob o comando da presidente interina Delcy Rodríguez, determinou nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, uma ação policial de grande escala em todo o território nacional. A ordem é para que as forças de segurança localizem e detenham qualquer indivíduo que tenha participado na promoção ou no apoio ao ataque armado realizado pelos Estados Unidos contra o país.
Decreto e Reação Internacional
A medida foi formalizada através de um decreto publicado no sábado, dia 3 de janeiro, mesma data em que ocorreu a operação militar norte-americana que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Contudo, o texto completo do documento só foi divulgado publicamente nesta segunda-feira. O ataque surpresa teve como alvo a capital Caracas nas primeiras horas da madrugada de sábado.
Paralelamente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) realizou uma reunião de emergência para debater a grave situação. Rosemery DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para assuntos políticos e de construção da paz, manifestou profunda inquietação. Ela declarou que está "profundamente preocupada que as leis do direito internacional não foram respeitadas na ação militar do dia 3 de janeiro".
Audiência e Acusações em Nova York
Enquanto a Venezuela reagia, Nicolás Maduro e Cilia Flores passaram por uma audiência de custódia em um tribunal federal em Nova York. O casal foi retirado à força de seu país e transportado de navio até os Estados Unidos, onde agora está detido em um presídio federal no bairro do Brooklyn.
Diante do juiz, o líder venezuelano se declarou inocente de todas as acusações apresentadas pelo governo norte-americano. As alegações incluem comandar um governo considerado corrupto e sem legitimidade, além de promover o narcoterrorismo. Há também denúncias específicas de conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse desses armamentos.
Cilia Flores, a primeira-dama, também pleiteou inocência perante o Tribunal de Nova York. Maduro, mesmo sob custódia em solo estrangeiro, reafirmou que ainda é o presidente legítimo da Venezuela.
Governo Interino e Desdobramentos
Com a detenção de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país como presidente interina. Sua primeira grande medida foi justamente a emissão do decreto que ordena a caça nacional aos supostos colaboradores da ação estadunidense.
Este evento marca um episódio sem precedentes nas relações internacionais recentes, envolvendo a captura extrajudicial de um chefe de estado em exercício por forças militares de outra nação. A crise deve continuar a gerar fortes reações na política global e no cenário diplomático sul-americano nos próximos dias.