Venezuela liberta 87 opositores detidos em protestos de 2024
Venezuela liberta mais 87 opositores presos em 2024

O governo da Venezuela anunciou a libertação de um novo grupo de pessoas detidas durante os protestos que seguiram as eleições presidenciais de 2024. A medida ocorre uma semana após uma ação semelhante e é vista como um gesto em meio a pressões internacionais.

Segunda onda de libertações em uma semana

Nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, duas organizações não governamentais confirmaram a soltura de pelo menos 87 opositores. O Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos (Clippve) e o Comité de Mães para a Defesa da Verdêda foram as entidades que atestaram a medida.

Os libertados estavam entre os milhares de detidos durante as grandes manifestações que eclodiram após a reeleição do presidente Nicolás Maduro. A oposição venezuelana e parte da comunidade internacional consideraram aquela votação fraudulenta.

Contexto das detenções e números divergentes

Esta é a segunda libertação em massa registrada no espaço de apenas sete dias. No Natal, as autoridades oficiais haviam anunciado a soltura de 99 pessoas. No entanto, a ONG Foro Penal, que presta assistência jurídica a muitos detidos, conseguiu verificar na ocasião a liberdade de apenas 61 indivíduos.

As discrepâncias nos números divulgados pelo governo e pelas organizações de direitos humanos são comuns no cenário político venezuelano, marcado por forte polarização.

Centenas ainda aguardam liberdade

Apesar das recentes ações, o cenário para os presos políticos no país segue crítico. Estima-se que mais de 700 pessoas continuem detidas por motivos considerados políticos por entidades de defesa dos direitos humanos.

A libertação de opositores é frequentemente analisada como uma manobra do governo Maduro para aliviar tensões internas e melhorar sua imagem perante a comunidade internacional, que aplica sanções econômicas ao país.

As organizações locais e internacionais continuam a monitorar a situação e a pressionar pela libertação de todos os presos políticos, defendendo que as detenções foram arbitrárias e uma resposta à manifestação pacífica contra os resultados eleitorais.