Trump indica Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve, o banco central dos EUA
Trump indica novo presidente do banco central americano

Trump indica Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve, o banco central dos EUA

O presidente Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (30) sua escolha para comandar o Banco Central dos Estados Unidos, o mais influente do mundo. A indicação recai sobre Kevin Warsh, que deve substituir Jerome Powell, mas ainda precisa ser confirmada pelo Senado americano. Essa movimentação ocorre após um ano de intensa pressão de Trump sobre o atual presidente do Federal Reserve, marcando um momento crucial para a política monetária global.

O que está em jogo na substituição?

A mudança no comando do Federal Reserve coloca em evidência dois elementos fundamentais: a taxa de juros e a autonomia da instituição. Warsh foi indicado por Donald Trump com a missão explícita de reduzir a taxa de juros em um ritmo acelerado. No entanto, se essa redução for feita a qualquer custo, sem as devidas condições técnicas, pode comprometer seriamente a credibilidade do FED. Esse é o dilema central que o novo indicado terá que enfrentar ao assumir o cargo.

O Banco Central americano tem como principais funções controlar os preços e promover o emprego, utilizando a taxa de juros como seu principal instrumento. Quando a economia está em crescimento, com inflação persistente, o FED tende a elevar os juros para frear o superaquecimento. Atualmente, a taxa de juros se encontra em um patamar considerado alto para os padrões históricos dos Estados Unidos, variando entre 3,5% e 3,75%.

Pressão política e autonomia institucional

Essa situação tem sido fonte de constante irritação para Donald Trump, que vem pressionando Jerome Powell a cortar os juros de forma mais agressiva. Vale ressaltar que a decisão sobre a taxa de juros não é tomada unilateralmente pelo presidente do FED, mas sim por um comitê composto por 12 diretores e presidentes dos bancos regionais. Apesar disso, Trump não tem medido palavras, chegando a chamar Powell de idiota em ocasiões públicas.

Em um movimento considerado sem precedentes, no início de janeiro, o Departamento de Justiça do governo americano processou Jerome Powell por má administração de uma reforma nos prédios do Federal Reserve, acusando-o ainda de mentir ao Congresso durante prestações de contas. Powell, que foi originalmente indicado pelo próprio Trump em seu primeiro mandato, respondeu às acusações afirmando que a investigação representa um pretexto para intimidar o Banco Central, caracterizando-a como uma clara tentativa de interferência política.

A postura de Powell recebeu apoio significativo em escala global, incluindo presidentes de bancos centrais de diversos países e até mesmo parlamentares do partido republicano. Nesta sexta-feira, o senador republicano Thom Tillis defendeu publicamente a independência do FED, declarando que só aprovará a indicação de Kevin Warsh se o governo recuar da investigação contra Jerome Powell.

Perfil do indicado e desafios futuros

Para assumir o cargo em maio, quando termina o mandato de Powell, Kevin Warsh precisa obter a aprovação do Senado americano. Os mercados financeiros reagiram com ligeira queda ao anúncio, mas sem demonstrar grandes preocupações com a nomeação. Essa relativa tranquilidade se deve ao fato de Warsh ser considerado menos radical do que outros nomes que vinham sendo avaliados pela administração Trump.

Warsh construiu sua carreira no setor financeiro e participou do governo de George W. Bush. Aos 35 anos, em 2006, tornou-se o mais jovem diretor do Federal Reserve, permanecendo no cargo até 2011. Durante esse período, era conhecido por ser favorável a juros mais altos como mecanismo de controle da inflação. Curiosamente, agora ele se mostra alinhado com Trump na demanda por redução dos juros e nas críticas à atual condução do Banco Central.

Além de sua trajetória profissional, aspectos pessoais também chamam atenção: Warsh é casado com uma herdeira do ramo de cosméticos, cujo pai é amigo pessoal de Donald Trump, doador de campanha e um dos incentivadores da polêmica ideia de comprar a Groenlândia.

Controlar os juros não será uma tarefa completamente nova para Kevin Warsh, dado seu histórico no FED. No entanto, o verdadeiro desafio que ele enfrentará será resistir às pressões políticas de Donald Trump, mantendo a necessária autonomia técnica do Banco Central americano. A indicação representa, portanto, um teste crucial para a independência institucional do Federal Reserve em um contexto de intensa polarização política.