Trump defende anexação da Groenlândia em Davos e acirra tensões com líderes europeus
Trump em Davos defende anexação da Groenlândia e gera crise

Trump reacende polêmica sobre Groenlândia em discurso inflamado no Fórum Econômico Mundial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua participação no prestigiado Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, para reafirmar com veemência sua intenção controversa de anexar a Groenlândia. Em um discurso proferido na manhã desta terça-feira, 21 de janeiro de 2026, o mandatário norte-americano não apenas defendeu a medida como uma questão de segurança estratégica, mas também disparou críticas diretas à Dinamarca, país do qual a ilha é território autônomo.

Argumentos de segurança e acusações de ingratidão marcam fala

Durante sua explanação, Trump fez referência histórica à ocupação militar norte-americana da Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945. "Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora", declarou, elevando o tom da já tensa discussão diplomática.

O presidente afirmou ter "respeito tremendo às pessoas da Groenlândia e da Dinamarca", mas insistiu que apenas os Estados Unidos seriam capazes de garantir a segurança do território ártico, que classificou como "sem defesa em uma localização estratégica". Ele descartou que a possível anexação represente uma ameaça à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), argumentando que, na verdade, "fortaleceria a segurança da aliança".

Reação europeia se fortalece com discursos de resistência

A postura agressiva de Trump encontrou resposta imediata e firme de importantes líderes europeus. O presidente francês, Emmanuel Macron, que já havia feito um discurso desafiador na segunda-feira, reafirmou a posição de resistência. Vestindo óculos escuros devido a uma condição ocular, Macron declarou que a Europa "não se curvará" a Trump e não aceitará novos "imperialismos e colonialismos", posicionando-se ao lado da Dinamarca.

Outras vozes de peso se somaram à crítica. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o continente está "preparado para agir", preferindo o diálogo, mas não excluindo medidas mais duras. O presidente finlandês e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também discursaram em Davos, defendendo a capacidade de defesa europeia independente dos Estados Unidos.

Além disso, está marcada para quinta-feira, 22 de janeiro, uma cúpula de emergência entre líderes europeus para alinhar uma resposta coordenada em defesa da Groenlândia e contra o que von der Leyen chamou de uma "nova ordem" mundial.

Contexto da disputa e nuances diplomáticas

A crise teve um novo capítulo quando Trump divulgou uma mensagem privada enviada por Macron, na qual o presidente francês questionava as intenções norte-americanas sobre a ilha. Apesar do tom beligerante, Trump ensaiou breves momentos de conciliação, sugerindo que um acordo satisfatório para ambas as partes poderia ser alcançado, alegando necessidade de segurança nacional.

Interessantemente, até mesmo figuras da extrema direita europeia, tradicionalmente alinhadas com Trump, como o francês Jordan Bardella, passaram a criticar a postura do presidente norte-americano, pedindo que a Europa não seja submissa e defenda sua soberania.

Enquanto isso, a Dinamarca avalia o envio de reforços militares para a Groenlândia, e o secretário-geral da ONU, Mark Rutte, trabalha nos bastidores para mediar a situação, apelando à parceria histórica entre os aliados. O discurso de Trump em Davos, que chegou atrasado devido a um problema elétrico no Air Force One, prometia ser marcante e cumpriu o papel, acirrando ainda mais uma das maiores crises diplomáticas do momento.