Em uma declaração que gerou reações imediatas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, que o que chamou de "massacre no Irã" estaria chegando ao fim. A fala ocorreu em meio a um contexto de intensa repressão do regime de Teerã contra manifestantes, com relatos de milhares de mortes e detenções.
Declarações contraditórias em Washington e Teerã
Durante um evento realizado na Casa Branca, Trump declarou ter recebido informações de uma "boa fonte" de que a violência estaria diminuindo. "O massacre no Irã está cessando, cessou", disse o mandatário americano. Ele complementou que, segundo essa mesma fonte, não existiriam planos para a execução dos detidos nos protestos.
Questionado diretamente se uma intervenção militar dos EUA estava descartada, Trump evitou uma resposta definitiva. "Vamos observar e ver o que acontece depois", respondeu, mantendo a ambiguidade que tem marcado sua postura em relação ao conflito.
Do outro lado, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, buscou acalmar os ânimos internacionais. Em entrevista à rede americana Fox News, ele garantiu que não haveria execuções de manifestantes "nem hoje nem amanhã". A declaração coincide com a informação divulgada pelo grupo de direitos humanos Hengaw, sediado na Noruega, de que a execução por enforcamento do manifestante Erfan Soltani, marcada para esta quarta-feira, foi adiada.
O cenário real: números alarmantes de violência
As afirmações otimistas de Trump e as garantias do governo iraniano contrastam brutalmente com os dados levantados por organizações não governamentais que monitoram a situação no país. A ONG Iran Human Rights (IHR), também com base na Noruega, apresenta um panorama sombrio.
Segundo a IHR, as forças de segurança iranianas já mataram pelo menos 3.428 manifestantes desde o início dos protestos. Além disso, mais de 10 mil pessoas foram detidas, sendo que o número real de prisões possivelmente é muito maior. Esses dados lançam uma pesada cortina de dúvida sobre a narrativa de que a violência estaria realmente arrefecendo.
Histórico de ameaças e um futuro incerto
O presidente Donald Trump tem um histórico de declarações inflamadas sobre o Irã. Em várias ocasiões anteriores, ele ameaçou lançar uma operação militar contra a República Islâmica para conter a repressão aos protestos, que mobilizam o país de aproximadamente 86 milhões de habitantes.
A postura de "esperar para ver", adotada agora por Trump, deixa em aberto todas as possibilidades. A comunidade internacional permanece atenta, enquanto organizações de direitos humanos pressionam por transparência e pelo fim da violência. A desconexão entre os discursos oficiais e os relatos das ONGs no terreno sugere que a crise iraniana está longe de uma solução pacífica e definitiva.
A situação continua tensa e em desenvolvimento, com o mundo observando se as garantias de fim das execuções serão cumpridas e se os números terríveis da repressão finalmente pararão de subir.