Trump cancela diálogo com Irã e apoia protestos que já deixam 2.000 mortos
Trump corta diálogo com Irã e protestos somam 2.000 mortes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (13) o cancelamento de qualquer diálogo com autoridades do Irã e expressou apoio direto aos protestos que sacodem o país, onde o número de mortos já chega a 2.000, segundo uma organização de direitos humanos. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump usou letras maiúsculas para incentivar os manifestantes e prometeu que a ajuda está a caminho.

Escalada da Violência e Reação Internacional

A contagem de vítimas fatais nos protestos iranianos deu um salto alarmante, passando de estimativas entre 100 e 200 no domingo (11) para cerca de 500 no fim daquele dia, até atingir a marca de 2.000 mortes nesta terça, conforme a ONG Hrana. O movimento, que começou em 28 de dezembro com a insatisfação de comerciantes em Teerã com a economia, transformou-se em um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades iranianas não divulgam um balanço oficial, mas um funcionário do próprio regime já havia confirmado o número de 2.000 mortos à agência Reuters, atribuindo a escalada da violência a "terroristas". Em meio à repressão brutal, está prevista para esta quarta-feira (14) a execução de um manifestante identificado como Erfan Soltani, de 26 anos, o que seria a primeira desde o início dos atos.

Risco de Intervenção e Medidas de Pressão

A postura agressiva de Trump reacendeu os temores de uma nova intervenção militar americana contra o Irã, rival histórico de Washington. Dois funcionários do governo dos EUA relataram à CBS News que Trump já foi informado sobre uma ampla gama de ações militares possíveis, que vão desde operações cibernéticas até ataques com mísseis de longo alcance.

Além das ameaças, Trump anunciou medidas econômicas severas, afirmando que países que façam negócios com o Irã estarão sujeitos a uma tarifa de 25% sobre transações com os EUA. Caso implementada, a medida poderia afetar nações como o Brasil.

O encontro secreto no fim de semana entre o enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, também sinaliza o envolvimento americano com a oposição iraniana fragmentada.

Comunicações Cortadas e Condenação Global

O regime iraniano impôs um apagão quase total das comunicações para dificultar a organização dos protestos e o fluxo de informações. De acordo com a ONG Netblocks, o bloqueio do acesso à internet já ultrapassava 108 horas na manhã desta terça. Um jornalista da AFP relatou que, embora a internet continue cortada, a conexão telefônica internacional foi restabelecida.

A comunidade internacional tem reagido com veemência. O Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse estar "horrorizado" com a violência. França, Alemanha e Itália criticaram a repressão e convocaram diplomatas iranianos para explicações. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, classificou os acontecimentos como "repulsivos", enquanto o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, declarou que a teocracia iraniana "vive seus últimos dias".

Em resposta às provocações de Trump, a conta oficial do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, compartilhou uma charge que mostra o presidente americano como um sarcófago destruído, acompanhada da frase: "Ele também será derrotado". O Qatar, mediador na região, alertou que uma escalada militar entre EUA e Irã teria consequências graves para toda a área.