O cenário do Fórum Econômico Mundial de 2026, marcado para acontecer em Davos, na Suíça, já começa a ser desenhado sob a sombra de uma condição imposta por uma das principais figuras confirmadas: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele aceitou o convite para o evento, que ocorrerá entre os dias 19 e 23 de janeiro, mas com uma exigência clara: que os temas que ele classifica como "woke" fiquem completamente de fora da programação oficial.
O veto presidencial e os temas proibidos
A exigência de Trump visa excluir do debate em Davos assuntos tradicionalmente associados a pautas progressistas e identitárias. Na prática, isso significa que tópicos como diversidade, empoderamento feminino e transição energética não devem constar como eixos centrais dos painéis oficiais, conforme sua solicitação. Em contrapartida, a organização do fórum anunciou que o foco dos debates será direcionado para cooperação internacional, crescimento econômico impulsionado pela tecnologia, geração de empregos e inovação responsável.
O tema central do encontro de 2026 será "Um Espírito de Diálogo", e a expectativa é reunir mais de 2.500 personalidades de governos, empresas, organizações não governamentais e universidades de todo o mundo. Além de Trump, outros nomes de peso já confirmaram presença, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O conflito entre a exigência e a realidade do debate global
Apesar da tentativa de moldar a agenda conforme suas preferências, analistas consideram virtualmente impossível que os temas vetados por Trump sejam completamente ignorados durante os cinco dias de fórum. A natureza plural do evento, que congrega líderes com visões diametralmente opostas, garante que esses assuntos surjam naturalmente nos corredores e nas intervenções de outros debatedores e palestrantes.
Um exemplo claro dessa tensão está em um dos tópicos já previstos na programação preliminar: "como construir prosperidade dentro dos limites planetários". Essa discussão, por si só, remete diretamente ao desafio de alinhar desenvolvimento econômico e negócios lucrativos com a urgência da sustentabilidade ambiental – um conceito que frequentemente se entrelaça com as agendas de transição energética criticadas pelo mandatário americano.
As implicações para o diálogo global
A condição imposta por Trump para sua participação coloca uma lente de aumento sobre as crescentes divisões ideológicas que permeiam os fóruns internacionais. De um lado, há a tentativa de priorizar uma agenda econômica tradicional, focada em tecnologia e comércio. De outro, persiste a pressão de diversos setores para que temas sociais e ambientais permaneçam no centro das discussões sobre o futuro da economia global.
A edição de 2026 do Fórum de Davos promete, portanto, ser um termômetro das tensões políticas e culturais que definem a atualidade. A presença de figuras como Trump e Milei, conhecidas por seus discursos contrários a certas pautas progressistas, contra o pano de fundo de um evento tradicionalmente associado a elites globais, deve gerar um diálogo – ou um confronto – emblemático sobre a direção que o mundo tomará nas próximas décadas.
O grande desafio para os organizadores será equilibrar as exigências particulares com a necessidade de promover um debate amplo, diverso e representativo dos múltiplos desafios que a comunidade internacional enfrenta. Resta saber se o "Espírito de Diálogo" conseguirá prevalecer sobre os vetos e as polarizações.