Em uma semana marcada por uma intervenção militar sem precedentes na América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom misto de seriedade e humor nas redes sociais. Nesta segunda-feira (12 de janeiro de 2026), ele compartilhou em sua plataforma Truth Social um meme que mostrava uma edição fictícia de sua página na Wikipédia, listando-o como "presidente interino da Venezuela, em exercício, janeiro de 2026".
Operação militar e controle do petróleo
A publicação humorística ocorre em um contexto de gravidade extrema. Há exatamente uma semana, na madrugada do sábado (3), forças especiais do Exército norte-americano conduziram uma operação em Caracas que resultou na deposição do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, a primeira-dama Cília Flores. Ambos foram capturados no Palácio de Miraflores e transportados para os Estados Unidos, onde aguardam julgamento em uma prisão em Nova York sob acusações de narcoterrorismo.
Após a queda de Maduro, Trump anunciou a instalação de um governo interino na Venezuela, liderado por Delcy Rodriguez, mas colocou-o sob tutela direta dos Estados Unidos. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que os EUA agora controlam as reservas e a produção de petróleo venezuelano, uma das maiores do mundo. Para consolidar essa nova realidade, Trump se reuniu na sexta-feira (9) com executivos da indústria petrolífera para discutir os próximos passos da extração no país sul-americano.
Cuba na mira e tensão diplomática
As consequências da intervenção se estendem além das fronteiras venezuelanas. No domingo (11), Trump voltou sua atenção para Cuba, declarando que a ilha não terá mais acesso ao petróleo ou ao dinheiro da Venezuela. Ele afirmou que o país caribenho não precisa mais da segurança cubana, que era fornecida em troca do combustível venezuelano, e enfatizou que "a Venezuela não é mais um país refém", pois agora "tem os EUA, as forças armadas mais poderosas do mundo para protegê-la".
Trump chegou a dizer que Cuba "está pronta para cair", sugerindo que o colapso do regime seria inevitável sem o apoio energético e financeiro que recebia de Caracas. A Venezuela supostamente fornecia cerca de 30% do petróleo consumido em Cuba. Durante a operação de captura de Maduro, 32 agentes de segurança cubanos que protegiam o líder venezuelano foram mortos.
Em resposta às declarações, o chanceler cubano, Bruno Rodriguez, rebateu no X (antigo Twitter), afirmando que Cuba tem o "direito absoluto de importar combustível" de qualquer mercado e de desenvolver suas relações comerciais sem interferência ou medidas coercitivas unilaterais dos EUA. Ele também negou que Cuba recebesse qualquer compensação monetária por serviços de segurança prestados à Venezuela.
Humor político e reações
O tom mais leve adotado por Trump nas redes sociais contrasta com a seriedade dos eventos. Além do meme sobre a Venezuela, no domingo ele também republicou uma sugestão humorística de que o secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, deveria se tornar presidente de Cuba, comentando simplesmente: "Por mim, tudo bem!".
O g1 verificou que a página real de Donald Trump na Wikipédia não contém a menção a "presidente interino da Venezuela", confirmando que a imagem compartilhada era uma edição de brincadeira. No entanto, a brincadeira ocorre sobre um pano de fundo de uma mudança geopolítica radical, com os Estados Unidos assumindo um controle direto sobre os recursos de um país soberano e realinhando as relações de poder em toda a região do Caribe e da América do Sul.
A situação coloca uma nova pressão sobre o regime cubano, que enfrenta um embargo econômico dos EUA desde a década de 1960 e agora perde seu principal parceiro comercial e fornecedor de energia. Os próximos passos de Havana e a consolidação do governo interino em Caracas sob tutela americana são os principais pontos de observação na cena internacional.