Em uma ação militar sem precedentes no continente, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e a intenção de "governar" o país sul-americano. O anúncio foi feito no sábado, 3 de janeiro de 2026, após Maduro ser transportado algemado de Caracas para uma prisão em Nova York.
Operação militar planejada e um acordo político improvisado
A operação que resultou na captura de Maduro foi descrita como bem-sucedida, tendo sido planejada e ensaiada durante um semestre, em uma estratégia comparada à que levou à morte de Osama Bin Laden no governo de Barack Obama. Foram mobilizadas frotas naval e aérea de combate, com aproximadamente 15 mil soldados, para a missão.
No entanto, em contraste com a precisão militar, a ação política subsequente foi marcada pela improvisação. Trump afirmou ter feito um acordo com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, para manter a estabilidade no país. "Vamos governar o país até uma transição segura, adequada e sensata", declarou Trump aos jornalistas.
Segundo a versão apresentada por Trump, em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Delcy Rodríguez teria se comprometido a fazer "tudo o que os EUA achassem necessário". A mudança de lealdade da vice, conhecida como uma das aliadas mais fiéis de Maduro, surpreendeu observadores.
Quem é Delcy Rodríguez, a nova peça-chave no tabuleiro venezuelano?
Delcy Rodríguez, de 56 anos e advogada de profissão, era até então um pilar do regime chavista. Ela foi nomeada por Maduro para cargos-chave como ministra da Economia, das Relações Exteriores, da Comunicação e Propaganda, e também presidiu a Assembleia Constituinte em 2017, antes de assumir a vice-presidência.
Junto com seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez – psiquiatra, ex-vice-presidente, ex-prefeito de Caracas e atual presidente da Assembleia Nacional –, Delcy compõe um dos núcleos familiares de maior influência na estrutura de poder venezuelana, que governa o país desde a morte de Hugo Chávez, há 13 anos. A família Rodríguez é conhecida pelo radicalismo político e pela rápida acumulação de fortuna, com parte de seus ativos bloqueados por governos dos EUA e da União Europeia.
Objetivos e incertezas: o que os EUA buscam na Venezuela?
Apesar da retórica sobre uma "transição sensata", a ação dos Estados Unidos revela objetivos estratégicos claros. O secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, admitiu que o plano ainda "está definindo os termos", indicando a falta de um roteiro concreto para o pós-captura de Maduro.
Analistas apontam que, para Washington, o aspecto fundamental é garantir que o novo gestor do poder em Caracas esteja alinhado com os interesses norte-americanos, particularmente na exploração das vastas reservas de petróleo e gás do país, que correspondem a cerca de um quarto das reservas mundiais conhecidas.
A postura de Trump também incluiu uma rejeição pública à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, a quem ele descreveu como alguém que "não tem apoio ou respeito para liderar o país". Essa atitude, somada ao acordo com uma figura do regime, sugere uma continuidade do modelo de poder, ainda que com uma nova face aliada aos EUA.
A situação remete à intervenção norte-americana no Iraque, onde a derrubada de um regime ditatorial não resultou em uma transição democrática estável, mas em uma prolongada instabilidade. No caso venezuelano, a captura espetacular de Maduro não derrubou o regime, mas parece tê-lo cooptado através de um acordo com sua antiga vice-presidente, levantando dúvidas sobre o real futuro da democracia no país.