O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre a Venezuela nesta semana, fazendo novas declarações ameaçadoras à liderança do país e afirmando que os EUA passarão a ditar as principais políticas em Caracas. As falas ocorrem após a operação militar que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Exigências americanas e ameaça de novo ataque
Em declarações feitas a bordo do avião presidencial no domingo, 4 de janeiro de 2026, ao retornar da Flórida para Washington, Trump foi direto ao ponto. Ele afirmou que a líder interina venezuelana, Delcy Rodríguez, terá de cumprir as exigências dos Estados Unidos ou enfrentará uma situação “provavelmente pior” do que a de seu antecessor.
“Se eles não se comportarem, haverá um segundo ataque”, declarou o mandatário americano. Trump disse acreditar que Rodríguez está cooperando, mas deixou claro que ela precisará atender às condições impostas por Washington, que incluem “acesso total” ao setor petrolífero e a outros recursos estratégicos do país. “Vamos comandar, consertar o país”, completou.
Contradições na administração e reação venezuelana
As afirmações de Trump geraram dúvidas sobre o real alcance da intervenção, especialmente após ele ter dito no sábado, 3 de janeiro, que os Estados Unidos iriam “administrar” a Venezuela. Para tentar acalmar os ânimos, o secretário de Estado, Marco Rubio, buscou relativizar a fala do presidente no dia seguinte.
Em entrevistas à televisão americana, Rubio afirmou que Washington não pretende ocupar nem governar formalmente o país. “Não se trata de administrar o país, mas de administrar a política relacionada a isso”, explicou. Segundo ele, os EUA já exercem pressão por meio do controle das exportações de petróleo sancionado e que todas as opções, incluindo o uso de tropas, permanecem sobre a mesa.
Horas após as ameaças de Trump, Delcy Rodríguez divulgou um comunicado em tom conciliador nas redes sociais. Ela afirmou que a Venezuela está disposta a “colaborar” com os Estados Unidos em uma agenda de cooperação para o “desenvolvimento compartilhado”, sempre dentro das normas do direito internacional.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, reagiu com dureza em pronunciamento na TV estatal. Ele colocou as Forças Armadas em alerta máximo e classificou a ação americana como um “brutal ataque à soberania nacional”. Padrino López ainda acusou os EUA de tentarem impor uma lógica “colonial” inspirada na Doutrina Monroe sobre a América Latina.
Cuba e Colômbia também na mira de Washington
A retórica agressiva de Trump não se limitou à Venezuela. O presidente americano sugeriu que a ofensiva pode precipitar o colapso do regime cubano, histórico aliado de Caracas. “Aquilo vai cair. Não acho que tenhamos feito nada diretamente, mas está desmoronando”, disse ele.
Pouco depois, Cuba confirmou que 32 soldados cubanos morreram durante a operação americana na Venezuela, ação que Havana classificou como um “ato criminoso de agressão e terrorismo de Estado”.
A Colômbia também foi alvo de ameaças. Trump chamou o presidente colombiano, Gustavo Petro, de “doente” e o acusou de tolerar o narcotráfico. Ele sugeriu ainda que uma ação militar no país “parece uma boa ideia”, elevando a tensão regional e provocando reações diplomáticas em Bogotá.
Exigências para a transição e impacto no mercado
Marco Rubio detalhou as exigências concretas de Washington para o novo comando venezuelano. A lista inclui:
- Operação da indústria petrolífera “em benefício da população”.
- Combate ao tráfico de drogas e às gangues criminosas.
- Expulsão de grupos armados colombianos, como as Farc e o ELN.
- Corte de vínculos com o Hezbollah e o Irã.
Sobre o futuro político, Trump descartou apoiar publicamente nomes da oposição, como a vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, ou Edmundo González, apontado como vencedor das eleições de 2024. “As eleições virão no momento certo”, afirmou. Rubio, que disse admirar ambos, pediu “realismo” no processo de transição, lembrando que o chavismo está no poder há mais de 15 anos.
No mercado internacional, a incerteza sobre o futuro da produção venezuelana sob influência direta de Washington teve reflexo imediato. Na segunda-feira, 5 de janeiro, o preço do petróleo caiu, com o barril do Brent recuando 1,1% e o do WTI, referência nos EUA, registrando queda de 0,9%.