Trump reacende polêmica sobre Groenlândia com ameaças à Europa em 2026
Trump ameaça anexar Groenlândia e impõe ultimato à Europa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu com força o debate sobre a possível anexação da Groenlândia, elevando a tensão diplomática com a Europa. Em novas declarações feitas em janeiro de 2026, Trump justificou a medida com uma suposta ameaça russa e com a riqueza em terras raras do território dinamarquês, ampliando um desgaste que já vinha se arrastando.

O ultimato e a retórica de intimidação

Em uma publicação na rede Truth Social, o mandatário americano afirmou que a Dinamarca falhou em conter a influência russa na Groenlândia e que “chegou a hora” de os Estados Unidos agirem. A fala foi analisada pelo mestre em Relações Internacionais Uriã Fancelli no programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol. Para o especialista, o tom adotado por Trump sinaliza uma clara tentativa de intimidação política contra aliados europeus.

Fancelli destacou que o discurso não é novo, mas ganhou contornos mais agressivos. Desta vez, ameaças de retaliação comercial, como a imposição de tarifas a países que se opuserem à anexação, foram usadas como instrumento de pressão. A declaração soa como um ultimato à União Europeia, testando os limites da aliança transatlântica.

A fragilidade do argumento da “ameaça russa”

O analista questiona a base factual do principal argumento de Trump. Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na Groenlândia desde 1951, sob acordos que, na prática, permitem ampliar sua presença no território quando necessário. Além disso, a Dinamarca historicamente tem sido cautelosa com investimentos estrangeiros na ilha, tendo rejeitado propostas chinesas por reconhecer sua importância estratégica.

“Ao acusar a Dinamarca e a Europa de negligência, Trump acaba minando a confiança na própria OTAN”, avalia Fancelli. Para ele, enfraquecer a aliança criada para conter a Rússia beneficia justamente Moscou e compromete a segurança europeia, contradizendo o objetivo declarado.

Reação europeia e o mito das terras raras

Em resposta às ameaças, países europeus tomaram uma medida concreta: enviaram tropas para a Groenlândia. O movimento incluiu nações que recentemente foram alvo de ameaças tarifárias por parte de Trump. A ação tem um duplo propósito: demonstrar que haveria resistência a uma ação americana mais agressiva e desmontar publicamente a narrativa de que a ilha estaria desprotegida.

Outro pilar da retórica de Trump é a riqueza em terras raras da Groenlândia, apresentadas como vitais para a segurança nacional dos EUA e para reduzir a dependência da China. No entanto, Fancelli pondera que essa narrativa ignora obstáculos concretos. Os recursos estão majoritariamente em áreas cobertas por gelo permanente, sua exploração demandaria anos de investimentos bilionários e enfrentaria enormes riscos e críticas ambientais.

Viabilidade real e consequências diplomáticas

Na avaliação final do especialista, a anexação é um cenário de baixa viabilidade prática. As enormes dificuldades econômicas, ambientais e políticas tornam a exploração imediata das riquezas da Groenlândia uma proposta mais retórica do que realista.

Contudo, o discurso cumpre outros objetivos. Ele eleva a tensão diplomática, gera instabilidade nas relações entre os Estados Unidos, a Europa e a OTAN, e serve como uma ferramenta de barganha e distração. O episódio, datado de 19 de janeiro de 2026, ilustra como a política externa pode ser instrumentalizada por narrativas que, mesmo frágeis em seus fundamentos, produzem impactos tangíveis na ordem internacional.