Nobel rejeita doação de prêmio de María Corina Machado para Trump
Nobel barra doação de prêmio de Machado para Trump

O Instituto Nobel da Noruega rejeitou uma proposta inusitada da mais recente laureada com o Nobel da Paz, a venezuelana María Corina Machado. Ela manifestou a intenção de doar a honraria ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas a instituição norueguesa impediu a transferência, reafirmando os princípios que regem o prêmio.

O gesto político e a resposta do Nobel

A sugestão de doação foi feita pela ativista e política venezuelana como um reconhecimento ao apoio que Trump teria dado à causa de seu país. No entanto, a resposta do Instituto Nobel, dada nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, foi rápida e baseada em seus estatutos. A fundação deixou claro que, uma vez concedido, o Prêmio Nobel da Paz não pode ser transferido, compartilhado ou revogado.

O professor de direito e relações internacionais da Universidade de Franca, Kleber Galerani, analisou o caso durante o Conexão Record News. Para o especialista, o gesto de María Corina Machado está fundamentado em interesses políticos. "Essa doação serviria como uma maneira da representante demonstrar um certo alinhamento com a política do presidente americano", avaliou Galerani.

Neutralidade acima das disputas partidárias

A decisão do Instituto Nobel vai além de uma mera formalidade. Segundo a análise do professor Kleber Galerani, a instituição busca proteger a neutralidade e a universalidade do prêmio. "Ao rejeitar a ideia de transferência, o Instituto reafirma que a legitimidade do prêmio está acima de disputas domésticas, acima de interesses partidários", explicou.

Essa postura é considerada crucial para preservar a credibilidade internacional da organização. O Nobel da Paz, portanto, mantém-se como um símbolo que deve transcender alinhamentos políticos momentâneos, focando em seu propósito original de celebrar esforços pela paz mundial.

O cenário político venezuelano atual

A tentativa de doação ocorre em um contexto político complexo na Venezuela. María Corina Machado não obteve o apoio público de Donald Trump para ascender ao poder no país. Atualmente, a Venezuela é liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após Nicolás Maduro.

Na visão do analista, a posse de Delcy Rodríguez representa uma tentativa do governo de equilibrar forças internas e externas. "É uma tentativa de equilibrar os dois lados: os apoiadores do regime de Maduro e os políticos estadunidenses que buscam ver uma cooperação por parte da Venezuela", afirmou Galerani.

O professor ainda destacou o delicado equilíbrio que a presidente interina precisa manter. Se adotar uma postura muito alinhada ao regime anterior, pode enfrentar pressões crescentes dos Estados Unidos. Por outro lado, se fizer concessões muito acentuadas aos interesses externos, corre o risco de perder o apoio interno, incluindo das Forças Armadas, de outros políticos e de parte da população.

O episódio envolvendo o Nobel da Paz, portanto, ilustra não apenas as regras rígidas que cercam a honraria internacional, mas também reflete as complexas dinâmicas políticas que continuam a moldar o futuro da Venezuela.