Trump e Macron trocam farpas em Davos sobre óculos, imperialismo e Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da França, Emmanuel Macron, protagonizaram um embate público durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026. O líder francês, que se tornou uma voz proeminente na Europa contra as políticas de Trump, condenou o que chamou de avanço do imperialismo, em referência indireta ao republicano, especialmente no contexto das ameaças dos EUA à Groenlândia, região autônoma administrada pela Dinamarca.
Ironia sobre os óculos e críticas ao imperialismo
Macron discursou no evento usando um traje incomum, com terno e óculos escuros espelhados. Ele explicou que o acessório era necessário devido a uma condição ocular causada por um vaso sanguíneo rompido. No palanque, Trump não perdeu a oportunidade de comentar a vestimenta do chefe do Eliseu. Eu o observei ontem com aqueles lindos óculos de sol. Que diabos aconteceu?, disparou o líder americano, olhando em direção ao local onde o francês estava sentado. Na verdade, eu gosto dele, é difícil de acreditar, continuou Trump em tom de brincadeira, antes de abordar outros temas, como o uso de tarifas para pressionar países europeus a reduzirem preços de medicamentos.
Na véspera, Macron subiu ao púlpito e fez um discurso contundente. Ele afirmou que não é momento para imperialismos e colonialismos, defendendo uma atuação conjunta da Europa para frear as investidas dos Estados Unidos na Groenlândia. O presidente francês destacou que o continente possui ferramentas poderosas, como o mecanismo anti-coerção da União Europeia, e não deve hesitar em utilizá-las quando as regras do jogo não são respeitadas. O conflito se tornou normal em um mundo sem regras, onde o direito internacional é pisoteado e a única regra que parece importar é a do mais forte, acrescentou, em uma clara alusão às ações de Trump.
Impasses que vão além da Groenlândia
As tensões entre os dois líderes, no entanto, não se limitam à questão da Groenlândia. Na segunda-feira, 19 de janeiro, Trump ameaçou aplicar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, em retaliação à decisão de Macron de não participar do Conselho de Paz para Gaza. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, classificou as ameaças como uma forma de chantagem, descrevendo-as como brutais e destinadas a forçar a conformidade.
Como parte da campanha de pressão, Trump publicou na Truth Social, rede social da qual é dono, uma troca de mensagens privadas com Macron. Nas mensagens, autenticadas, o chefe do Eliseu concorda com Trump sobre a Síria e sugere que podem fazer grandes coisas no Irã, mas contrapõe: Eu não consigo entender o que você está fazendo na Groenlândia. Macron também propôs uma reunião do G7, incluindo a possibilidade de chamar representantes da Ucrânia, Dinamarca, Síria e Rússia às margens do fórum em Davos, que se estende até 23 de janeiro, e convidou Trump para um jantar em Paris antes de seu retorno aos EUA.
O embate reflete as crescentes divergências entre os EUA e a Europa em questões geopolíticas e comerciais, com Macron emergindo como um defensor ferrenho da autonomia europeia frente às políticas unilaterais de Trump.