O cenário político internacional foi abalado no último fim de semana com a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por autoridades dos Estados Unidos. O líder foi detido em Caracas na madrugada de sábado (3) e transferido para um centro de detenção em Nova York, onde aguarda julgamento.
Pressão sobre Delcy Rodríguez e acusações formais
Em entrevista por telefone à revista The Atlantic no domingo (4), o presidente americano, Donald Trump, direcionou suas ameaças à nova liderança venezuelana. Trump afirmou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, "vai pagar um preço muito alto" se não cooperar com os Estados Unidos. Ele foi além, sugerindo que o custo para Rodríguez pode ser ainda maior do que o enfrentado por Maduro.
Paralelamente, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, formalizou as acusações contra Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Eles responderão perante a Justiça americana em um tribunal de Nova York por crimes que incluem:
- Conspiração para narcoterrorismo
- Conspiração para importação de cocaína
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos
- Conspiração para posse de metralhadoras
Reações internacionais e posição dos EUA
A prisão de Maduro gerou reações imediatas de países aliados da Venezuela. A Coreia do Norte classificou a ação dos EUA como a "forma mais grave de violação de soberania", acusando Washington de atos de arbitragem que levaram a uma "consequência catastrófica" no país sul-americano.
Já a China, uma das principais parceiras políticas e econômicas de Caracas, exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores chinês argumentou que a deportação violou o direito e as normas internacionais, defendendo que a situação deve ser resolvida por meio de diálogo, sem interferência externa.
Do lado americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a postura de pressão. Em declarações à CBS News, Rubio afirmou que os EUA estão prontos para trabalhar com os líderes remanescentes da Venezuela, desde que tomem "a decisão correta". Ele alertou que Washington mantém "diversas ferramentas de pressão" à disposição e considerou prematuro discutir eleições no país no momento.
Próximos passos e transição de poder
Em coletiva de imprensa, Donald Trump declarou que os Estados Unidos avaliam os próximos passos para a Venezuela. O plano, segundo o presidente americano, é conduzir o país por meio de um "grupo" em formação até uma transição de poder. No entanto, Trump não detalhou prazos ou o funcionamento prático desse arranjo político.
O perfil oficial da Casa Branca na rede social X divulgou imagens de Maduro sendo escoltado por agentes após sua chegada ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) para ser fichado. O líder venezuelano segue detido em Nova York, enquanto o mundo acompanha as repercussões de um dos episódios mais dramáticos da política internacional recente.