To Lam assume presidência do Vietnã consolidando poder e rompendo tradição de liderança compartilhada
O Vietnã elegeu por unanimidade o secretário-geral do Partido Comunista, To Lam, como presidente do país para um mandato de cinco anos, em uma cerimônia realizada em Hanói na terça-feira, 7. Esta decisão histórica consolida seu controle sobre o partido e o Estado, rompendo com a tradição vietnamita de liderança compartilhada, na qual os cargos normalmente eram ocupados por pessoas diferentes.
Consolidação de poder e paralelos internacionais
A medida ecoa as estruturas de poder na China sob Xi Jinping e no vizinho Laos, representando uma mudança significativa no cenário político vietnamita. Esta consolidação de autoridade já era amplamente esperada desde a reeleição de Lam como chefe do Partido Comunista em janeiro, quando observadores notaram que sua posição fortalecida o preparava para assumir também a presidência.
Esta é a segunda vez que To Lam ocupa ambos os cargos, tendo-o feito brevemente em 2024, quando seu antecessor como chefe do partido, Nguyen Phu Trong, faleceu. A concentração de poder é particularmente significativa, pois significa que Lam tem um "mandato mais forte e muito mais espaço político para implementar sua agenda do que qualquer outro líder" desde a década de 1980.
Declarações e prioridades do novo presidente
Após tomar posse, o presidente de 69 anos declarou à Assembleia Nacional que sua principal prioridade era manter a paz e a estabilidade, que são a base para um crescimento rápido e sustentável. "Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida das pessoas para que todos possam compartilhar os benefícios do desenvolvimento", afirmou Lam em seu discurso de posse.
Como chefe do partido, Lam já liderou a maior reforma burocrática do Vietnã desde a década de 1980, implementando medidas como:
- Corte de empregos no setor público
- Fusão de ministérios
- Redesenho das fronteiras provinciais
- Impulso a grandes projetos de infraestrutura
Trajetória política e contexto histórico
A ascensão de Lam ao poder coroa a trajetória de um policial de carreira que galgou posições desde os serviços de segurança do Vietnã até o topo do sistema político. Isso foi facilitado por uma ampla campanha anticorrupção lançada por seu antecessor, que ele supervisionou como chefe do Ministério da Segurança Pública.
Nguyen Khac Giang, do centro de pesquisa ISEAS–Yusof Ishak Institute de Singapura, analisou: "A oportunidade é óbvia. Tomada de decisões mais rápida, maior coerência política e uma chance melhor de implementar reformas difíceis em um momento crucial. Mas o risco é que a concentração de poder possa avançar mais rápido do que a reforma institucional".
Desafios econômicos e objetivos de crescimento
Lam tem se concentrado no desempenho econômico e no crescimento do setor privado, visando levar o Vietnã além do modelo baseado em mão de obra e exportações que ajudou a tirar milhões da pobreza e a construir uma classe média com base na indústria manufatureira. O país almeja um crescimento econômico anual de 10% ou mais em cada um dos próximos cinco anos.
No entanto, existem desafios significativos:
- A economia mundial está abalada pelo choque energético da guerra no Irã
- A economia do Vietnã cresceu a uma taxa anualizada de 7,8% nos primeiros três meses do ano, acima dos 7,1% do ano passado, mas abaixo da meta de 9,1%
- O crescimento é mais lento do que no final de 2025
Desafios políticos e relações internacionais
Giang afirmou que Lam também enfrenta obstáculos políticos para obter a adesão às reformas e o desafio de manter a abordagem pragmática do Vietnã em relação à política externa. O Vietnã enfrenta pressão dos EUA devido ao seu superávit comercial, mas também precisa equilibrar as relações com a China, seu maior parceiro comercial e rival na disputa pelo Mar da China Meridional.
"O país se beneficiou de uma estratégia de equilíbrio cuidadosa em sua política externa, mas manter essa posição se tornará mais difícil em um mundo mais turbulento", alertou Giang, destacando os complexos desafios diplomáticos que o novo presidente enfrentará durante seu mandato de cinco anos.



