Violência sexual é principal temor para 61% das mulheres cearenses, segundo pesquisa abrangente
Uma pesquisa realizada no Ceará revelou dados alarmantes sobre a percepção de segurança entre as mulheres do estado. O estudo "Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança" apontou que a violência sexual é um medo presente para 61% das entrevistadas, destacando-se como a principal preocupação em relação à segurança pessoal.
Metodologia e abrangência do levantamento
A pesquisa foi conduzida pela Ipsos-Ipec em parceria com o Diário do Nordeste e o Instituto Patrícia Galvão, entrevistando 2.032 mulheres com idades a partir de 16 anos em 77 municípios cearenses entre 1º e 14 de outubro de 2025. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, garantindo representatividade estatística significativa.
O estudo investigou diversos tipos de violência que causam apreensão entre as mulheres, incluindo assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupro. De forma preocupante, 95% das entrevistadas relataram ter medo de sofrer algum tipo de violência, abrangendo desde violência física e psicológica até violência doméstica e outras formas de agressão.
Medo mais presente entre mulheres jovens
A análise por faixa etária revelou que o temor da violência sexual é particularmente intenso entre as mulheres mais jovens. Os percentuais demonstram uma clara tendência decrescente conforme aumenta a idade:
- 16 a 24 anos: 78% temem violência sexual
- 25 a 34 anos: 72% temem violência sexual
- 35 a 44 anos: 61% temem violência sexual
- 45 a 59 anos: 54% temem violência sexual
- 60 anos e mais: 43% temem violência sexual
Embora o medo seja generalizado em todas as faixas etárias, os números mostram que quase metade das mulheres acima dos 60 anos ainda relatam este temor, indicando que a preocupação com violência sexual persiste ao longo da vida feminina.
Mais da metade já sofreu algum tipo de violência
O estudo também investigou experiências passadas de violência, revelando que 51% das mulheres cearenses entrevistadas já sofreram algum tipo de agressão. A violência psicológica emergiu como a forma mais frequente, afetando 28% das respondentes.
A distribuição dos tipos de violência já vivenciados apresenta o seguinte panorama:
- Violência psicológica: 28%
- Violência física: 16%
- Violência sexual: 15%
- Violência doméstica: 11%
- Violência virtual: 9%
- Violência patrimonial: 6%
- Violência institucional: 8%
- Violência policial: 3%
Apenas 48% das entrevistadas declararam não ter sofrido nenhum desses tipos de violência. A violência psicológica mostrou-se mais prevalente entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menos frequente entre mulheres acima dos 60 anos (16%).
Impunidade dos agressores é principal fator apontado
Quando questionadas sobre os fatores que mais contribuem para a insegurança e violência contra mulheres no Ceará, as entrevistadas apontaram a impunidade dos agressores como elemento principal, com 37% das respostas. Outros fatores significativos incluem:
- Pouco policiamento: 29%
- Cultura machista: 28%
- Vícios (álcool, drogas) dos agressores: 27%
- Falta de segurança dentro do transporte público: 26%
- Falta de empatia/solidariedade: 20%
A pesquisa identificou diferenças geracionais significativas na percepção da cultura machista como fator contribuinte. Entre mulheres de 16 a 24 anos, 37% apontaram este aspecto, enquanto entre mulheres acima de 60 anos, apenas 16% o mencionaram, sugerindo que as gerações mais jovens enfatizam mais fortemente o machismo como elemento estrutural da violência.
Impacto na rotina e percepção de segurança
O medo da violência altera significativamente o comportamento das mulheres cearenses. Quarenta por cento das entrevistadas afirmaram que mudam hábitos em suas rotinas por medo ou insegurança por serem mulheres. A principal adaptação comportamental é evitar sair sozinhas de casa, principalmente à noite, prática adotada por 68% das mulheres.
Quando questionadas sobre ambientes onde se sentem mais seguras, a maioria indicou:
- Própria casa: 83%
- Casa de amigos e parentes: 66%
Em contraste, os espaços públicos são percebidos como locais consideravelmente mais inseguros:
- Apenas 10% se sentem seguras no transporte público ou enquanto aguardam em pontos de ônibus e terminais
- Apenas 13% se sentem seguras em ruas, praças e parques
Canais de denúncia e propostas para maior segurança
Os canais de denúncia e apoio às mulheres mais conhecidos pelas cearenses são:
- Contato da Polícia Militar: 71%
- Delegacia da Mulher: 57%
- Disque 180: 56%
Para diminuir o medo e a insegurança, as mulheres entrevistadas acreditam que são necessárias medidas específicas:
- Aumentar o policiamento nas ruas: 56%
- Aumentar a segurança dentro dos transportes coletivos: 36%
- Capacitar agentes de polícia para atender casos de violência e assédio contra a mulher: 29%
Esta pesquisa abrangente oferece um retrato detalhado da realidade enfrentada pelas mulheres cearenses, destacando a urgência de políticas públicas efetivas para garantir sua segurança e bem-estar em todos os espaços sociais.



