O Ministério da Defesa da Coreia do Sul anunciou, nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, a abertura de uma investigação sobre um incidente grave: a possível violação do espaço aéreo da Coreia do Norte por veículos aéreos não tripulados (drones) operados por civis sul-coreanos. O episódio, que teria ocorrido no sábado, 10 de janeiro, elevou o tom das já frágeis relações entre as duas nações.
O Incidente e as Acusações
De acordo com as informações, os drones decolaram da região de Incheon, cidade próxima à fronteira marítima entre os dois países, e tinham como objetivo filmar "pontos de interesse" no território norte-coreano. As aeronaves foram abatidas pela defesa antiaérea de Pyongyang, que posteriormente divulgou imagens dos destroços.
A reação do governo norte-coreano foi imediata e contundente. Através de Kim Yo Jong, vice-diretora de um departamento do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, Pyongyang classificou o evento como "atos de provocação" e alertou para "terríveis consequências" caso algo semelhante se repita. A liderança norte-coreana deixou claro que considera Seul responsável pela invasão, independentemente de os operadores serem civis ou militares.
A Resposta e a Negação de Seul
O governo sul-coreano, por sua vez, adotou uma postura de contenção. O Exército negou veementemente qualquer envolvimento oficial na operação dos drones. Kim Hong-chul, diretor do gabinete de Políticas do Ministério da Defesa, afirmou que "não temos a intenção de provocar ou irritar a Coreia do Norte" e reforçou o compromisso com medidas para aliviar as tensões.
Seul se disse aberto à realização de uma investigação conjunta com o vizinho do norte, embora nenhuma proposta formal tenha sido encaminhada até o momento. O presidente Lee Jae Myung foi enfático ao declarar que, se confirmada a autoria civil, a ação será tratada como um crime grave contra a segurança da Península Coreana.
Contexto de Tensão e Falta de Diálogo
Este incidente ocorre em um momento particularmente delicado. Desde que assumiu o cargo no ano passado, o presidente Lee Jae Myung tem buscado, sem sucesso, estabelecer um canal de diálogo direto com o líder norte-coreano, Kim Jong-un. Pyongyang tem ignorado sistematicamente essas tentativas de aproximação.
A relação entre os dois países, que vivem sob um frágil armistício desde a Guerra da Coreia (1950-1953), é marcada por ciclos de hostilidade. Seul mantém constante preocupação com as provocações de seu vizinho, que possui um arsenal nuclear. Paralelamente ao caso dos drones, nesta mesma segunda-feira, o ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi julgado por supostamente tentar provocar Pyongyang em 2025, em uma manobra para justificar a imposição de lei marcial.
O episódio dos drones civis, portanto, não é um fato isolado, mas mais um capítulo na complexa e perigosa dinâmica entre as duas Coreias, onde qualquer incidente, mesmo de origem não estatal, pode acender o estopim de uma crise maior.