O Senado dos Estados Unidos frustrou, nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026), uma tentativa de limitar a autoridade do presidente Donald Trump para usar a força militar na Venezuela. A manobra dos republicanos, que detêm a maioria na casa, praticamente garante a derrota da resolução, que agora enfrenta um caminho muito mais difícil para ser aprovada.
Manobra Processual Altera Regras do Jogo
Os senadores republicanos utilizaram uma estratégia processual para retirar o status de "privilegiada" da resolução. Esse status especial permitiria que a proposta fosse aprovada por maioria simples de votos. Com a mudança, a medida agora precisa de 60 votos para passar, uma marca quase intransponível dada a atual composição do Senado.
Os republicanos possuem 53 assentos, contra 47 dos democratas. Sem votos suficientes da oposição para alcançar os 60 necessários, a resolução está fadada ao fracasso em uma eventual votação final. A justificativa apresentada pelos parlamentares do partido de Trump foi a de que a norma não se aplicaria porque "não há hostilidades em curso" na Venezuela atualmente.
Contexto: Crítica a Operação Secreta
A iniciativa legislativa ganhou força após uma operação militar americana na Venezuela no dia 3 de janeiro, autorizada por Trump sem notificar previamente os membros do Comitê de Serviços Armados do Senado. Na semana passada, a resolução havia avançado em uma votação procedural após receber o apoio de cinco senadores republicanos, um movimento interpretado como uma reprimenda à ação unilateral do presidente.
No entanto, a pressão da Casa Branca e do próprio Trump, que criticou publicamente os republicanos dissidentes em suas redes sociais, reverteu parte do apoio. Segundo a imprensa americana, dois dos cinco republicanos que haviam apoiado a medida na semana anterior mudaram de posição.
Garantias do Secretário de Estado Mudam o Cenário
A mudança de voto desses senadores teria ocorrido após eles receberem garantias do secretário de Estado, Marco Rubio. Rubio assegurou que não existem planos para mobilizar tropas americanas na Venezuela e que o Congresso seria consultado de maneira apropriada caso essa situação mudasse no futuro.
A resolução em questão exigia que o presidente Donald Trump buscasse a aprovação explícita do Congresso antes de ordenar qualquer nova ação militar no país sul-americano. A derrota da medida representa uma vitória significativa para a administração Trump, que mantém sua liberdade de ação na arena internacional pelo menos até as eleições legislativas de novembro, quando a composição do Senado poderá ser alterada.