Relógio do Juízo Final atinge marca histórica: 85 segundos para a meia-noite
O grupo de cientistas nucleares Bulletin of the Atomic Scientists atualizou o Relógio do Juízo Final nesta terça-feira (27) para 85 segundos para a meia-noite. Esta é a menor distância já registrada desde a criação da iniciativa, em 1947, superando o recorde anterior de 89 segundos estabelecido no ano passado.
O que é o Relógio do Juízo Final?
Conhecido internacionalmente como "Doomsday Clock", o Relógio do Juízo Final é uma metáfora poderosa que representa o quão próxima a humanidade está da autoaniquilação. Quanto mais perto da meia-noite os ponteiros se movem, maior é o risco de um desastre global. A cada ano, uma junta de especialistas em ciência e segurança, incluindo 11 prêmios Nobel, decide reposicionar os ponteiros deste relógio simbólico.
Desde sua criação após a Segunda Guerra Mundial, o relógio já variou significativamente:
- Em 1947, começou marcando sete minutos para a meia-noite.
- Após o fim da Guerra Fria, em 1991, alcançou sua posição mais segura: 17 minutos para a meia-noite.
- Agora, em 2024, atinge seu ponto mais crítico: apenas 85 segundos para a meia-noite.
Fatores que levaram à atualização alarmante
A decisão deste ano foi tomada por um painel de cientistas renomados, incluindo Daniel Holtz, Steve Fetter, Inez Fung, Asha M. George, John B. Wolfstal, Alexandra Bell e Maria Ressa. Eles citaram uma combinação perigosa de fatores que elevam os riscos globais:
- Conflitos internacionais: Tensões envolvendo os Estados Unidos, como bombardeios no Irã e operações na Venezuela durante a gestão de Donald Trump, além de obsessões geopolíticas como o controle da Groenlândia.
- Comportamento agressivo de potências nucleares: Ações da Rússia e da China que aumentam a probabilidade de um desastre nuclear.
- Guerras em curso: Conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio que destabilizam a segurança global.
- Avanço da inteligência artificial: Preocupações com os impactos não regulados da IA na sociedade e sua potencial para causar danos em larga escala.
Declaração preocupante dos cientistas
Alexandra Bell, presidente do Bulletin of the Atomic Scientists, emitiu um alerta sombrio: "Cada segundo conta e estamos ficando sem tempo. É uma verdade difícil, mas essa é a nossa realidade. Este é o ponto mais próximo da meia-noite que o nosso mundo já esteve." Suas palavras refletem a urgência da situação, destacando que a humanidade enfrenta uma teia complexa de riscos, incluindo armas de destruição em massa, colapsos ambientais e tecnologias problemáticas.
O anúncio anual serve como um lembrete gritante dos perigos que ameaçam a civilização, exigindo ação imediata de líderes globais e da sociedade como um todo para evitar uma catástrofe sem precedentes.