Reino Unido e China firmam parceria estratégica em resposta às tarifas de Trump
Enquanto os Estados Unidos enfrentam uma crescente reação interna contra as políticas de imigração do governo Trump, um novo cenário está se desenhando no comércio mundial, diretamente influenciado pelas ameaças do presidente americano. A chantagem de Trump de impor tarifas pesadas está, paradoxalmente, aproximando nações e acelerando a formação de novas alianças comerciais.
Fim da era do gelo entre China e Reino Unido
A era do gelo entre a China e o Reino Unido chegou ao fim, marcando uma virada histórica nas relações internacionais. Os britânicos, tradicionalmente aliados de longa data dos Estados Unidos, abriram as portas para o Oriente em um movimento que surpreendeu muitos observadores. Este aperto de mão em território chinês, o primeiro em quase uma década, simboliza uma reaproximação significativa entre as duas potências.
Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido, declarou nesta sexta-feira, 30 de agosto, que seu governo busca construir uma relação estratégica com a China. Durante a visita, foram alcançados acordos que prometem fortalecer a indústria farmacêutica britânica, abrir novos mercados no setor de energia limpa e até reduzir as tarifas sobre o whisky importado pela China.
Resposta às ameaças internacionais
Starmer enfatizou que essa será a linha de sua administração diante de acontecimentos internacionais que impactam diretamente a economia britânica. Ele citou efeitos sobre empregos, preços nos mercados e até a sensação de segurança da população. Esta visita de Estado é claramente uma resposta ao governo americano, que, sob a gestão de Donald Trump, tem abalado as relações internacionais com uma série de tarifas e ameaças contra aliados.
O governo chinês, atento a esse cenário, vem se posicionando como uma parceira estável para as economias ocidentais. A palavra confiança foi repetida incessantemente pelo líder britânico durante a visita, destacando a importância de laços comerciais previsíveis e duradouros.
Reação de Trump e expansão das parcerias
Donald Trump não aprovou essa aproximação, classificando-a como muito perigosa em declarações na quinta-feira, 29 de agosto. Em resposta, Starmer rebateu na sexta-feira, 30, argumentando que a China, como a segunda maior economia do mundo, não pode ser ignorada, e que seria imprudente para o Reino Unido enfiar a cabeça na areia.
Os britânicos não são os únicos a buscar novos acordos com a China após as medidas protecionistas dos EUA. Países como França, Irlanda e Canadá já tomaram passos semelhantes, e a Alemanha está programada para seguir o exemplo em fevereiro. Este movimento está reconfigurando o tabuleiro internacional, representando mais do que um simples recado: é um desafio direto às estratégias comerciais de Donald Trump.
Essa realinhamento global sugere que as ameaças tarifárias podem estar catalisando uma nova ordem econômica, onde antigos aliados dos EUA buscam diversificar suas parcerias para proteger seus interesses nacionais em um mundo cada vez mais volátil.