Ataque dos EUA à Venezuela: professor da UFRR relata terror em Caracas
Professor da UFRR vive terror em Caracas durante ataque dos EUA

Uma madrugada de explosões, apagões e medo marcou a capital da Venezuela, Caracas, no dia 3 de janeiro de 2026, durante um ataque militar em larga escala conduzido pelos Estados Unidos. O alvo principal era o governo de Nicolás Maduro, que foi capturado, assim como sua esposa, Cilia Flores. Entre os civis que vivenciaram o terror estava o pesquisador venezuelano Adrián Padilla, de 68 anos, do Grupo de Estudo Interdisciplinar sobre Fronteiras (Geifron) da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Uma noite de pânico na capital venezuelana

Adrián Padilla, professor universitário aposentado e morador de Boa Vista desde 2019, estava em Caracas visitando a família durante as festas de fim de ano. Por volta da madrugada, uma série de pelo menos sete explosões sacudiu a cidade em um intervalo de aproximadamente 30 minutos. Os bombardeios atingiram instalações militares em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

“Foi terrorífico. Você não espera que algo assim aconteça em uma capital como Caracas, uma cidade grande, importante. Foi muito assustador. Uma madrugada de terror”, relatou o professor. A situação foi especialmente crítica para sua família, pois seus filhos moram em frente a uma instalação militar. Eles estavam no apartamento no momento do ataque, junto com o neto autista de oito anos de Adrián.

Vítimas colaterais e caos generalizado

Embora ninguém de sua família tenha se ferido diretamente, os efeitos do ataque foram fatais para civis. Um vizinho, que havia levado o pai doente para passar o réveillon em casa, morreu de infarto em meio ao pânico causado pelas explosões. “Não estava no epicentro do ataque, mas morreu como efeito colateral. Isso mostra como a população civil é afetada”, afirmou Padilla, destacando o custo humano de operações militares.

Além dos bombardeios, a madrugada foi marcada por apagões e falhas de comunicação. Partes de Caracas ficaram sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade. Moradores ficaram sem internet e telefone, mergulhados em escuridão e incerteza. Ao amanhecer, o clima era de forte tensão, com comércios abrindo aos poucos e pessoas buscando estocar alimentos.

Rejeição à intervenção e violação da soberania

Mesmo em meio ao caos, Padilla observou que não houve manifestações populares de apoio à ofensiva estrangeira. O sentimento predominante, segundo ele, era de rejeição à intervenção externa, independentemente das posições políticas internas. “As pessoas comuns, a sociedade civil, não estavam apoiando isso. Mesmo quem critica o governo não aceita uma intervenção estrangeira”, disse.

Para o pesquisador, especialista em estudos de fronteira, o episódio representa uma grave violação de princípios históricos do direito internacional. “O que está acontecendo é uma violação de uma tradição construída nos últimos 80 anos do direito internacional. Depois da Segunda Guerra Mundial se estabeleceu um conjunto de leis e acordos para garantir a convivência pacífica entre os povos, baseada no princípio da soberania e da autodeterminação dos Estados”, argumentou.

Resposta oficial e tensão na fronteira

Imediatamente após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado declarando que o país estava sob "agressão militar" e decretou estado de emergência. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou não saber onde Maduro estava e exigiu uma prova de vida do governo americano.

A tensão do conflito também se fez sentir na fronteira do Brasil com a Venezuela, em Roraima. No mesmo dia 3 de janeiro, militares do Exército Brasileiro foram mobilizados na região, em um movimento de vigilância e preparação diante da instabilidade gerada pelo ataque à nação vizinha. A situação coloca em alerta uma área geográfica sensível, onde o fluxo de pessoas e os impactos de crises políticas são constantemente monitorados por pesquisadores como Adrián Padilla.