Governo Trump enfrenta pressão crescente após morte de cidadão americano por agentes de imigração
Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump está sob intensa pressão política, inclusive de seus próprios aliados, após o assassinato recente de mais um cidadão americano por agentes federais de imigração. O caso, que envolve a morte de Alex Pretti durante um protesto contra o ICE no sábado (24), colocou a atuação dos agentes de imigração sob os holofotes nacionais e internacionais, gerando um debate acalorado sobre os limites da aplicação da lei.
Juiz federal revela 96 violações judiciais do ICE em 2026
Um juiz federal concluiu que a Polícia de Imigração, conhecida como ICE, já violou impressionantes 96 decisões judiciais apenas no ano de 2026. Essas violações incluem liminares e decisões em processos movidos por imigrantes presos, muitos dos quais alegam não ter tido seus direitos fundamentais respeitados. Entre as garantias negadas está o direito a uma audiência de custódia, procedimento básico do sistema jurídico americano.
O magistrado foi enfático em sua declaração: "O ICE não está acima da lei", reforçando a necessidade de que a agência federal respeite as determinações do Poder Judiciário. Esta constatação judicial chega em um momento particularmente delicado para a administração Trump, que vê sua política de imigração sendo questionada por diversos setores da sociedade.
Aliados históricos pressionam por mudanças na política de imigração
Nos últimos dias, até mesmo aliados fiéis de Donald Trump começaram a pressionar por mudanças significativas na posição do governo sobre a atuação do ICE. Uma das principais preocupações é o impacto político nas eleições de novembro, que vão renovar o Congresso americano.
O governador do Texas, Greg Abbott, conhecido por sempre apoiar políticas linha-dura contra imigrantes, surpreendeu ao afirmar que a Casa Branca deveria recalibrar sua abordagem. Já o senador Pete Ricketts cobrou uma investigação transparente sobre o assassinato de Alex Pretti pelos agentes federais, demonstrando a crescente insatisfação dentro do próprio partido Republicano.
Pesquisa revela apoio majoritário a investigação independente do ICE
Uma pesquisa de opinião realizada esta semana mostrou que 77% dos americanos são favoráveis à criação de uma agência independente para investigar violações cometidas pelo ICE. O apoio é significativo mesmo entre os eleitores republicanos, onde 61% manifestaram concordância com a proposta.
Estes números indicam uma preocupação generalizada da população com os métodos utilizados pela agência de imigração e sugerem que o tema pode ter consequências eleitorais importantes para o governo atual.
Autoridade de imigração admite erros e anuncia mudanças
Nesta quinta-feira (29), Tom Homan, principal autoridade de imigração do governo Trump, fez seu primeiro pronunciamento desde que assumiu a operação em Minneapolis. Suas declarações marcaram um recuo em relação à política anterior do governo sobre as ações do ICE.
Homan admitiu erros, ainda que de forma indireta, utilizando palavras como "consertar" e "melhorar" ao se referir à atuação dos agentes federais responsáveis pela morte de dois cidadãos americanos: Alex Pretti e Renee Good, em 7 de janeiro.
Entre as mudanças anunciadas está a determinação de que as equipes do ICE passem a atuar nas ruas com alvos definidos e de forma mais direcionada. Homan afirmou ainda que pretende reduzir o número de agentes federais na cidade em algum momento futuro.
Condições impostas para as mudanças na operação
Contudo, Homan estabeleceu condições para as alterações na atuação do ICE. Como moeda de troca, exigiu que o governo federal tenha acesso às prisões estaduais e municipais para deportar criminosos estrangeiros. Esta exigência revela as complexas negociações políticas que envolvem a reformulação da política de imigração americana.
O caso continua a evoluir enquanto o governo Trump busca equilibrar as pressões internas e externas com sua agenda política, em um ano eleitoral que promete ser decisivo para o futuro da imigração nos Estados Unidos.