O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou o ano de 2026 com uma série de movimentos agressivos que, segundo analistas e diplomatas, estão abalando profundamente a ordem global baseada em regras. Suas ações, que incluem a derrubada do líder venezuelano e ameaças de anexação da Groenlândia, deixaram tanto aliados quanto adversários em estado de choque, forçando uma reavaliação urgente das realidades geopolíticas.
Uma nova doutrina de poder bruto
Poucos dias antes de completar um ano de seu retorno à Casa Branca, Trump deu as boas-vindas a 2026 com uma enxurrada de decisões de alto impacto. Ele derrubou o governo de Nicolás Maduro na Venezuela, prometeu controlar as vastas reservas de petróleo do país e ameaçou outras nações latino-americanas com ações militares semelhantes. Fora do Hemisfério Ocidental, falou abertamente sobre anexar a Groenlândia, mesmo que à força, e alertou o Irã sobre um possível novo ataque.
Essa postura, descrita por um assessor da Casa Branca como governada pela "força e pelo poder", está ressuscitando um conceito há muito rejeitado: as esferas de influência das grandes potências. Trump reformulou a Doutrina Monroe do século XIX, que priorizava a supremacia dos EUA nas Américas, na chamada "Doutrina Donroe". Especialistas alertam que, embora essa visão inquiete aliados, ela pode servir aos interesses da Rússia e da China em suas respectivas regiões.
Reações globais de preocupação e adaptação
A comunidade internacional reagiu com crescente alarme. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, acusou os EUA de uma "quebra de valores". A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma tentativa de tomar a Groenlândia significaria o fim da aliança transatlântica. Mesmo aliados próximos, como o Reino Unido, optaram por uma resposta contida, com um funcionário afirmando, sob anonimato, que "repreender Trump publicamente não vai ajudar a alcançar nossos objetivos".
No Japão, a operação na Venezuela foi vista por alguns como um exemplo perigoso de mudança do status quo pela força, levando até mesmo a debates sobre a necessidade de o país desenvolver seu próprio arsenal nuclear. Na Coreia do Sul, um parlamentar afirmou que as ações de Trump "abrem uma caixa de Pandora onde os fortes podem usar a força contra os fracos".
Enquanto isso, nações começam a se proteger. Países europeus aceleram esforços para fortalecer sua indústria de defesa, e analistas preveem que atores regionais-chave, como o Brasil, possam ser pressionados a se aproximar ainda mais da China como forma de escudo contra a pressão de Washington.
Riscos e o futuro da ordem internacional
O foco explícito de Trump no petróleo venezuelano como motivação para a intervenção é particularmente perturbador para os aliados. Especialistas alertam que o uso do poder americano sem referência às normas internacionais pode incentivar China e Rússia a intensificarem movimentos coercitivos contra seus vizinhos.
Alexander Gray, ex-assessor de Trump e pesquisador do Atlantic Council, escreveu que as ações na Venezuela são "apenas o ponto de partida" para uma reavaliação mais ampla dos interesses dos EUA no hemisfério. Do lado russo, a visão é cínica: Sergei Markov, ex-assessor do Kremlin, disse que o episódio simplesmente prova que "não existe direito internacional – existe apenas a lei da força".
O apetite de Trump por ações militares parece não ter limites. Mesmo durante a crise venezuelana, ele ameaçou intervir no Irã, em apoio a manifestantes que desafiam o governo clerical. Em entrevista no Air Force One em 12 de janeiro de 2026, ele afirmou estar avaliando respostas, incluindo opções militares, dizendo: "Talvez tenhamos que agir por causa do que está acontecendo".
O mundo agora observa, atordoado, sem saber se as mudanças impostas por Trump serão duradouras ou poderão ser revertidas por um futuro presidente mais tradicional. A ordem que ajudou a evitar conflitos mundiais por oito décadas, baseada no livre comércio e no Estado de Direito, enfrenta seu teste mais severo.