Dinamarca, Groenlândia e EUA negociam segurança no Ártico após ameaças de Trump
Negociações no Ártico após ameaças de Trump sobre Groenlândia

Dinamarca, Groenlândia e EUA iniciam negociações sobre segurança no Ártico

Em um cenário de tensão diplomática desencadeada por declarações do presidente americano, Donald Trump, representantes da Dinamarca e do território autônomo da Groenlândia se reuniram com autoridades dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026. O encontro, confirmado pelo Ministério das Relações Exteriores dinamarquês, tem como objetivo principal abordar questões de segurança na região do Ártico, respeitando os limites estabelecidos pelas nações envolvidas.

Contexto das ameaças e a resposta diplomática

A crise começou a se intensificar na semana anterior, quando Trump fez declarações públicas sugerindo a possibilidade de uma tomada da Groenlândia, território rico em recursos naturais e de importância estratégica. O presidente americano chegou a mencionar o uso de força militar e a imposição de tarifas contra países europeus que se opusessem à ideia, gerando protestos na capital da Groenlândia, Nuuk, onde a população saiu às ruas com faixas anti-EUA.

No entanto, a tensão começou a diminuir nesta semana, com a retirada das ameaças militares e a suspensão das tarifas anunciadas. Em comunicado enviado à agência Reuters, a chancelaria dinamarquesa afirmou que a reunião visa "discutir como podemos abordar as preocupações americanas sobre segurança no Ártico, respeitando as linhas vermelhas do Reino".

Reafirmação da soberania e abertura para cooperação

Tanto o governo dinamarquês quanto as autoridades da Groenlândia foram enfáticos em reiterar que a ilha não está à venda e que sua soberania não é negociável. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, explicou que o trabalho continuará em dois eixos: um focado na Otan e outro nas relações bilaterais com os Estados Unidos.

Ela destacou que todos os integrantes da aliança transatlântica concordam com a necessidade de uma presença permanente da Otan na região ártica, mas não forneceu detalhes sobre as discussões específicas com os americanos. Por sua vez, a Groenlândia expressou o desejo de manter um diálogo pacífico sobre seu futuro, sempre com respeito ao seu direito à autodeterminação.

Detalhes das negociações e acordos históricos

Segundo fontes próximas às negociações, ouvidas pela agência AFP, Estados Unidos e Dinamarca estão planejando renegociar seu acordo de defesa de 1951, que permitiu o estabelecimento de uma base militar americana permanente na Groenlândia. No entanto, essas fontes descartaram que a ideia de adicionar mais bases sob soberania de Washington tenha sido abordada.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia afirmado que Washington tem um processo em vigor em relação à ilha e que haverá reuniões técnicas com as autoridades envolvidas. Trump, por sua vez, garantiu a jornalistas que os Estados Unidos obtiveram "tudo o que buscavam" e "para sempre", embora poucos detalhes do pacto tenham sido divulgados.

Implicações para o futuro e a posição da Groenlândia

A Groenlândia, como território autônomo que integra o Reino da Dinamarca, mantém uma postura firme em relação à sua soberania. Em declarações recentes, representantes locais enfatizaram que, caso a população tenha de escolher entre permanecer uma terra dinamarquesa ou se unir aos Estados Unidos, a preferência é clara: "escolhemos o Reino da Dinamarca, escolhemos a União Europeia, escolhemos a Otan".

As negociações em curso refletem um esforço para equilibrar as preocupações de segurança dos EUA com os interesses nacionais da Dinamarca e da Groenlândia, buscando uma cooperação que respeite as soberanias envolvidas e promova a estabilidade na região do Ártico.