Lula e Macron discutem Conselho da Paz de Trump e reforçam apoio à ONU em telefonema
Lula e Macron debatem Conselho da Paz e reforçam ONU

Líderes do Brasil e França debatem proposta de Trump e reafirmam compromisso com a ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, mantiveram uma conversa telefônica nesta terça-feira, 27 de fevereiro, que se estendeu por aproximadamente uma hora. O diálogo centrou-se na proposta do Conselho da Paz, uma iniciativa idealizada e presidida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo declarado de pacificar e reconstruir a Faixa de Gaza.

Defesa do multilateralismo e alinhamento com a ONU

Durante o telefonema, ambos os mandatários defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e concordaram que quaisquer iniciativas relacionadas à paz e segurança internacional devem estar estritamente alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança da ONU, bem como aos princípios e propósitos estabelecidos na Carta das Nações Unidas. O teor completo da conversa foi divulgado oficialmente pelo Palácio do Planalto.

É importante destacar que Lula foi um dos líderes mundiais convidados a ocupar um assento neste conselho proposto por Trump, mas ainda não formalizou uma resposta ao convite. Na semana passada, durante um evento em Salvador, o presidente brasileiro chegou a criticar a criação do Conselho da Paz, afirmando que a iniciativa parece buscar a criação de uma nova ONU sob a liderança de Trump. A França, por sua vez, também recebeu o convite e já negou formalmente a participação.

Agenda internacional ampla e diálogos recentes

Nas últimas semanas, o presidente Lula tem mantido uma intensa agenda de contatos com importantes líderes globais. Entre as conversas realizadas, destacam-se diálogos com o presidente da China, Xi Jinping; o presidente da Rússia, Vladimir Putin; o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; o presidente da Colômbia, Gustavo Petro; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez; o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

Nesta segunda-feira, 26 de fevereiro, Lula também conversou diretamente com o presidente Donald Trump. Na ocasião, o líder brasileiro sugeriu que o Conselho da Paz incluísse um assento representativo para a Palestina e se limitasse a discutir questões específicas relacionadas à Faixa de Gaza. Além disso, ficou acertada uma visita de Lula aos Estados Unidos ainda este ano, com data a ser definida posteriormente.

Posicionamento sobre a Venezuela e condenação à força

No mesmo telefonema, Lula e Macron trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. De acordo com informações do Planalto, ambos os presidentes condenaram veementemente o uso da força em violação ao direito internacional e concordaram sobre a importância fundamental da paz e da estabilidade na América do Sul e em todo o mundo.

Este tópico ganha relevância considerando os eventos recentes: no dia 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram um bombardeio na Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro junto com sua esposa, Cilia Flores. Os dois foram transportados para os Estados Unidos, e a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, assumiu interinamente o comando do país.

Acordo Mercosul-União Europeia e obstáculos atuais

Os líderes também abordaram o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Lula reafirmou sua visão de que a parceria é positiva para ambos os blocos econômicos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.

O acordo foi finalmente assinado no dia 17 de janeiro deste ano, após impressionantes 26 anos de negociações complexas. Entretanto, no dia 21 de janeiro, o Parlamento Europeu decidiu solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica detalhada sobre a parceria comercial com os países sul-americanos. Na prática, esta medida paralisa temporariamente o processo de implementação do acordo, uma vez que o tribunal costuma levar cerca de dois anos para emitir um parecer definitivo.

A França se posiciona como um dos países que se opõem à ratificação do acordo, argumentando que ele representa uma ameaça à agricultura local ao criar uma concorrência desleal através de importações mais baratas provenientes do Mercosul.

Compromissos bilaterais e cooperação futura

Por fim, o presidente Lula e o presidente Macron trataram da agenda bilateral entre Brasil e França. Ambos se comprometeram a finalizar negociações em curso, com o objetivo de assinar acordos específicos ainda no primeiro semestre de 2026.

Segundo o Palácio do Planalto, os dois mantêm um diálogo frequente e produtivo sobre cooperação entre os países, especialmente em temas estratégicos como defesa, ciência e tecnologia, e energia. Este compromisso reforça a relação histórica e as parcerias existentes entre as duas nações.