Crise na Venezuela: Lula condena captura de Maduro e fronteira com Brasil segue aberta
Lula condena captura de Maduro; fronteira com Brasil aberta

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou neste sábado, 3 de janeiro de 2026, sua primeira avaliação oficial sobre os ataques militares dos Estados Unidos que resultaram na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores. A reunião de emergência, convocada por Lula, teve como foco imediato a situação na extensa fronteira terrestre entre os dois países.

Fronteira brasileira permanece aberta após fechamento venezuelano

Após o encontro, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, informou que a fronteira do Brasil com a Venezuela, que possui mais de 2.000 quilômetros de extensão, segue aberta pelo lado brasileiro. A declaração ocorreu após o fechamento do lado venezuelano, com imagens de Pacaraima, em Roraima, mostrando militares e bloqueios no acesso.

Múcio garantiu que há efetivo suficiente das Forças Armadas brasileiras para manter a segurança na região. O Ministério da Justiça, por sua vez, já se declarou em estado de preparação para um possível aumento no fluxo de refugiados venezuelanos. Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) já registravam crescimento na entrada de venezuelanos no Brasil após as primeiras operações americanas na região, em setembro.

Condenação veemente de Lula e risco de instabilidade regional

Em nota oficial divulgada neste sábado, o presidente Lula classificou os ataques americanos como uma "afronta gravíssima à soberania da Venezuela" e um precedente perigoso para a comunidade internacional. Ele afirmou que os atos "ultrapassam uma linha inaceitável".

"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade", disse o presidente. Lula ainda relacionou a ação aos "piores momentos da interferência na política da América Latina" e pediu uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

A avaliação do governo brasileiro é de que as instabilidades no território venezuelano podem gerar impactos diretos sobre o Brasil, especialmente na região Norte. Uma nova reunião emergencial está marcada para o final da tarde deste sábado.

Detalhes da operação americana e paradeiro de Maduro

Os ataques ocorreram nas primeiras horas de sábado em Caracas e arredores, com alvos também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Relatos indicam explosões sobre a capital e bombardeios em Fuerte Tiuna, a principal base militar de Caracas, que ficou sem energia.

O ex-presidente americano Donald Trump, em entrevista ao The New York Times, chamou a operação de "brilhante". Já a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou não saber o paradeiro de Maduro e de Cilia Flores, exigindo prova de vida imediata do governo Trump.

Em declaração à Fox News, Trump afirmou que Maduro está a bordo do navio de guerra americano Iwo Jima e segue para Nova York, onde será julgado. A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, disse que o presidente venezuelano "em breve enfrentará a força total da Justiça americana".

A escalada de tensão teve início no final de outubro, quando Trump revelou ter autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela. Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles, designado como organização terrorista, e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por sua captura.

O planejamento militar americano incluiu o envio de um porta-aviões, destróieres, caças F-35, um submarino nuclear e cerca de 6.500 soldados para o Caribe. No entanto, dados da ONU enfraquecem o discurso de combate ao narcotráfico, apontando que o fentanil, principal responsável por overdoses nos EUA, tem origem no México, e não na Venezuela.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 29% dos americanos apoiam o uso das Forças Armadas para matar suspeitos de narcotráfico sem processo judicial, refletindo a divisão de opiniões sobre as ações de Trump.