A tensão geopolítica no Ártico atingiu um novo patamar nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026. Vários países europeus, incluindo França, Suécia, Alemanha, Noruega e Países Baixos, iniciaram o envio de tropas militares para a Groenlândia. A movimentação é uma resposta direta às recentes ameaças dos Estados Unidos sobre uma possível tomada do vasto território insular.
A Ideia do Bilionário
A semente desse conflito foi plantada anos atrás, durante o primeiro mandato do presidente americano Donald Trump. A ideia de adquirir a Groenlândia, no entanto, não partiu inicialmente do político, mas de um velho amigo: o bilionário Ronald Lauder, de 81 anos. Herdeiro da fortuna da gigante de cosméticos Estée Lauder, Lauder conhece Trump há mais de seis décadas.
Em 2018, conforme revelado pelo ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton ao jornal The Guardian, Trump comentou sobre a sugestão feita por um "empresário proeminente" para que os EUA comprassem a Groenlândia. Esse empresário era justamente Ronald Lauder. A proposta do bilionário despertou o interesse do então presidente, levando uma equipe da Casa Branca a estudar formas de expandir a influência americana na região ártica.
Interesses Estratégicos e Recursos Valiosos
O que motiva tanto interesse por uma ilha coberta de gelo? Em um artigo publicado no New York Post em fevereiro do ano passado, o próprio Ronald Lauder detalhou as razões. Ele destacou que, sob o gelo e as rochas da Groenlândia, existe um tesouro de elementos de terras raras, minerais essenciais para a fabricação de tecnologia de inteligência artificial, armamento avançado e dispositivos modernos.
Além dos recursos, o recuo das calotas polares está abrindo novas rotas marítimas no Ártico, rotas que podem remodelar completamente o comércio e a segurança global no futuro. Não por acaso, à medida que Trump intensificava suas declarações sobre anexar o território, Lauder também passou a adquirir participações comerciais no país.
Resposta Europeia e Soberania Dinamarquesa
Nas últimas semanas, Donald Trump voltou a afirmar que a Groenlândia seria "vital" para os interesses estratégicos dos Estados Unidos, reacendendo a crise. Apesar de possuir um governo autônomo, a Groenlândia permanece sob a soberania da Dinamarca e, portanto, é protegida pela aliança militar da Otan.
A decisão das nações europeias de despachar tropas é um claro sinal de solidariedade à Dinamarca e uma tentativa de dissuadir qualquer ação unilateral por parte de Washington. A situação coloca em xeque a estabilidade no Ártico e testa os laços dentro da própria Otan, da qual os Estados Unidos são um membro fundamental.
O episódio revela como os interesses privados de uma figura bilionária e influente podem catalisar movimentos geopolíticos de grande escala. A amizade de longa data entre Trump e Lauder acabou por colocar no centro do tabuleiro mundial um território remoto, mas repleto de riquezas estratégicas para o futuro.