Israel reabre passagem de Rafah entre Gaza e Egito após quase dois anos de bloqueio
Israel reabre passagem de Rafah entre Gaza e Egito

Israel anuncia reabertura da passagem de Rafah entre Gaza e Egito

Nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, Israel confirmou a reabertura da passagem de Rafah, que conecta a Faixa de Gaza ao Egito, marcando um passo significativo após quase dois anos de bloqueio. A medida, anunciada pela agência israelense COGAT, responsável por coordenar a política civil no enclave palestino, deve entrar em vigor no próximo domingo, 1º de fevereiro, permitindo o deslocamento de milhares de pessoas entre os territórios.

Contexto histórico e importância da passagem

A passagem de Rafah é o único ponto de travessia que não era completamente controlado por Israel antes da guerra contra o Hamas, servindo como a principal ligação dos 2 milhões de habitantes de Gaza com o mundo exterior. Em maio de 2024, as Forças de Defesa de Israel assumiram o controle do local durante o conflito, bloqueando todo o tráfego e permitindo apenas raras evacuações médicas desde então.

Segundo o COGAT, "o retorno de residentes do Egito para a Faixa de Gaza será permitido, em coordenação com o Egito, apenas para os moradores que deixaram Gaza durante o decorrer da guerra, e somente após autorização de segurança prévia de Israel". Esta condição reflete as restrições contínuas impostas por Tel Aviv, mesmo com a reabertura.

Impacto na população palestina e esperanças de normalidade

A notícia da reabertura se espalhou rapidamente por Gaza, gerando esperança entre os habitantes que anseiam por uma vida normal. Mustafa Ibrahim, analista político baseado na Cidade de Gaza, destacou à emissora alemã Deutsche Welle que "a travessia precisa ser aberta para que as pessoas sintam mudança e transição", enfatizando a importância simbólica do progresso nas etapas do cessar-fogo.

Shaiman Rashwan, outro residente, expressou o desejo coletivo por liberdade de movimento: "Queremos liberdade de movimento, tanto dentro quanto fora de Gaza. Queremos que os palestinos que desejam retornar possam fazé-lo. Esses são os direitos mais básicos de qualquer povo e nação". A reabertura é vista como um alívio para dezenas de milhares que fugiram da guerra e agora enfrentam incertezas no Egito, onde as autoridades se opõem a assentamentos permanentes.

Facilitação de ajuda humanitária e dilemas futuros

Fontes diplomáticas indicam que a reabertura de Rafah deve facilitar a entrada de mais ajuda humanitária e mercadorias comerciais, reduzindo a dependência da passagem de Kerem Shalom, controlada por Israel. Stephane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas, afirmou que a entidade busca entender como a abertura funcionará na prática, visando o fluxo de bens humanitários e cargas privadas.

No entanto, a medida também cria dilemas para os moradores. Hamed Hamdi, um engenheiro civil de 41 anos que perdeu sua casa e vive em um barraco, questiona: "Devo deixar Gaza e ir para outro lugar para salvar meus filhos de viverem em barracas, receberem educação intermitente, e receberem cuidados de saúde que nem sequer atendem as necessidades mais básicas — ou devo ficar no meu país para ajudar a reconstruí-lo junto com outros especialistas?".

Condições para a reabertura e plano de paz

A reabertura estava prevista na primeira fase do plano de paz proposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que levou a um cessar-fogo em outubro do ano passado. Israel manteve a condição de só reabrir a fronteira após recuperar o corpo do último refém israelense em Gaza, Ran Gvili, cujos restos mortais foram repatriados na segunda-feira, 26 de janeiro.

Embora Gaza continue sob restrições, a ação representa um avanço nas relações regionais e oferece um vislumbre de normalidade para os palestinos, enquanto o mundo observa os desdobramentos deste movimento estratégico.