O governo iraniano afirmou, nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, que mantém canais de diálogo abertos com os Estados Unidos, mesmo diante de uma onda de protestos internos e de ameaças renovadas do presidente americano, Donald Trump. A situação representa um dos maiores desafios ao regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979.
Diálogo e ameaças em meio à crise
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou a embaixadores estrangeiros em Teerã que o país está aberto a negociações, mas também completamente preparado para um conflito. "A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela", afirmou, advertindo os adversários contra qualquer "erro de cálculo".
Araghchi enfatizou que qualquer conversa com os americanos precisa ser justa, com igualdade de direitos e baseada no respeito mútuo. Ele também sugeriu que a violência nos protestos, iniciados pela crise inflacionária aguda, poderia ser uma tentativa de dar aos EUA um pretexto para intervir no país.
Trump oferece ajuda e regime intensifica repressão
No domingo, 11 de janeiro, Donald Trump usou sua rede social, Truth Social, para se dirigir ao povo iraniano, afirmando que eles "procuram a liberdade como nunca antes" e que "os Estados Unidos estão prontos para ajudar". No entanto, o presidente americano não detalhou a natureza dessa assistência.
Enquanto isso, a repressão do regime se intensificou. Segundo organizações não governamentais, mais de 500 manifestantes foram mortos nos últimos dias, com forças de segurança utilizando munição real. O acesso à internet para a população foi drasticamente restringido, isolando o país do mundo exterior.
O regime classifica qualquer participante dos protestos como um "inimigo de deus" e um traidor da nação, acusando-os de buscar "dominação estrangeira" – um crime passível de pena de morte.
Contexto de tensão e precedente venezuelano
O ministro Araghchi declarou ainda que o Irã está "mais preparado" agora do que durante o conflito com Israel em junho do ano passado, que terminou após bombardeios americanos. Naquela ocasião, mais de 1.000 iranianos morreram.
A mensagem de Trump ocorre menos de uma semana após uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e deixou um saldo de 100 mortos, incluindo militares cubanos. Este precedente aumenta a apreensão sobre o significado real da "ajuda" oferecida pelo líder americano ao Irã.
O cenário permanece extremamente volátil, com Teerã equilibrando-se entre a retórica belicosa e a abertura diplomática, enquanto tenta conter uma revolta popular sem precedentes dentro de suas fronteiras.