Chanceler alemão prevê fim do regime iraniano; EUA ameaçam ação militar
Irã em crise: protestos massivos e ameaça internacional

A crise política e social no Irã atinge um novo patamar de gravidade, com protestos massivos, repressão letal e uma condenação internacional cada vez mais firme. Nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, fez uma declaração impactante durante visita à Índia, sugerindo que o regime dos aiatolás, no poder desde 1979, está em seus "últimos dias e semanas".

Repressão violenta e isolamento do regime

As manifestações, que começaram em 28 de dezembro devido a uma crise inflacionária aguda, rapidamente se transformaram em um canal para insatisfações mais amplas com as restrições sociais e políticas. A resposta do governo iraniano tem sido brutal. Uma autoridade local admitiu à Reuters que cerca de 2.000 pessoas, entre manifestantes e forças de segurança, morreram desde o início dos protestos, culpando "terroristas". Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, contabiliza 648 manifestantes mortos e mais de 10 mil presos.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou a violência, afirmando que "o assassinato de manifestantes pacíficos deve parar". Para isolar o país e dificultar a cobertura dos eventos, o regime cortou o acesso à internet por mais de 108 horas, deixando cerca de 90 milhões de pessoas offline, segundo a agência NetBlocks e a organização Witness.

Pressão internacional cresce com sanções e ameaças militares

A comunidade internacional reage com força. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco propôs novas sanções contra membros da Guarda Revolucionária Iraniana. Do outro lado do Atlântico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão. Na segunda-feira, 12 de janeiro, ele anunciou tarifas de 25% sobre transações com qualquer país que faça negócios com o Irã, medida que afetaria potências como China e Índia, e também o Brasil.

Além das medidas econômicas, a Casa Branca não descarta uma intervenção militar. A porta-voz Karoline Leavitt disse que ataques aéreos estão entre as "muitas, muitas opções" em análise, embora a diplomacia seja a prioridade. O alerta foi levado a sério: a embaixada americana em Teerã recomendou que cidadãos dos EUA deixem o país "agora" ou tenham um plano de fuga independente.

Irã se declara "pronto para a guerra" em meio a crise econômica

Em resposta às ameaças, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi enfático em entrevista à Al Jazeera: "Se Washington quiser testar a opção militar... estamos prontos para isso". Ele acusou "elementos terroristas" de se infiltraram nos protestos e afirmou que Washington e Tel Aviv fomentam as revoltas para desestabilizar o governo.

A crise, no entanto, tem raízes econômicas profundas. A desvalorização do rial, agravada pelo fim de uma taxa de câmbio subsidiada, fez os preços dos alimentos dispararem. Em setembro, sanções da ONU foram reativadas após denúncias de falta de cooperação do Irã com a fiscalização nuclear, piorando ainda mais o poder de compra da população. A situação se tornou ainda mais frágil após uma guerra aérea de 12 dias com Israel e EUA em junho do ano passado, que danificou instalações energéticas e militares iranianas.

O momento é visto como o maior desafio ao governo clerical em anos, combinando uma feroz repressão interna com uma pressão externa sem precedentes, que coloca o futuro do regime em xeque.