O Irã, hoje um possível alvo de intervenção militar norte-americana, já foi um aliado estratégico dos Estados Unidos. A atual crise, marcada por protestos internos e ameaças de retaliação, reacende uma rivalidade histórica que remonta à Revolução Iraniana de 1979. Especialistas analisam se as ameaças atuais são retóricas ou podem se concretizar em um conflito aberto.
Protestos e crise interna acirram tensões
O país enfrenta uma onda de manifestações há quase duas semanas, com a população protestando contra a crise econômica. De acordo com uma organização de direitos humanos, os confrontos já resultaram em 544 mortes, incluindo manifestantes e policiais. Além disso, mais de 10 mil pessoas teriam sido detidas pelas autoridades.
A situação se agravou após declarações de líderes iranianos sobre um suposto apoio dos EUA aos protestos. O presidente do Parlamento do Irã foi enfático: qualquer ataque americano à capital, Teerã, será respondido com uma retaliação direta contra Israel e bases militares norte-americanas na região.
Uma aliança que virou rivalidade histórica
Em entrevista ao Conexão Record News, o professor de direito e relações internacionais Kleber Galerani contextualizou a hostilidade atual. Ele relembrou que, por muito tempo, o Irã foi um aliado tradicional do Ocidente, especialmente dos Estados Unidos.
"Quando lá em 1979 ocorre a revolução iraniana, há um rompimento brutal nas relações entre as partes", explicou Galerani. "De modo que nós temos de longa data essa rivalidade." O evento transformou o Irã de uma monarquia pró-Ocidente em uma república islâmica teocrática, iniciando décadas de tensão.
Risco de confronto: retórica ou realidade?
Sobre as ameaças de ataque ou intervenção dos Estados Unidos, o especialista avalia que, no momento, elas estão no "campo retórico". No entanto, Galerani acredita que esse discurso pode servir para calibrar ações concretas no futuro.
"Trata-se do campo da possibilidade, não exatamente do campo de uma ação concreta de forma imediata", afirmou. "Eu acredito que trata-se de uma opção, e uma opção inicialmente no campo retórico, uma opção inicialmente no plano do discurso para de algum modo calibrar eventuais ações futuras."
Apesar do tom belicoso, o governo iraniano afirma não buscar uma guerra. O ministro das Relações Exteriores do país declarou que o Irã está preparado para um conflito, mas não o deseja.
Israel em estado de alerta máximo
O possível cenário de um ataque norte-americano ao Irã colocou forças regionais em estado de atenção. Segundo fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, Israel tem mantido um alerta máximo desde que a possibilidade de uma ação militar começou a ser discutida.
A sombra de um conflito mais amplo paira sobre o Oriente Médio, com o potencial de redesenhar alianças e desencadear uma série de respostas imprevisíveis. A comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos entre duas potências com um histórico complexo de cooperação e confronto.