ICE sob foco: o que é e como atua a polêmica agência de imigração dos EUA
ICE: o que é a agência de imigração dos EUA em debate

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, tornou-se centro de um debate público global na última semana. O motivo foi um incidente ocorrido na quarta-feira em Minneapolis, Minnesota, onde um agente da agência atirou e matou fatalmente uma mulher. O caso reacendeu discussões sobre os poderes e a atuação desta força federal.

O que é o ICE e qual sua origem?

O ICE é uma agência federal norte-americana responsável por aplicar as leis de imigração e conduzir investigações sobre entrada e permanência irregular no país. Sua criação remonta a 2002, como parte da Lei de Segurança Interna (Homeland Security Act), uma resposta direta aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Na época, foi estabelecido o Departamento de Segurança Interna (DHS), e o ICE surgiu como uma de suas agências subsidiárias.

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o orçamento e a missão do ICE foram significativamente expandidos. Essa expansão está alinhada com uma das principais promessas de campanha do presidente: realizar deportações em massa de imigrantes em situação irregular.

Poderes, detenções e o uso da força

Os agentes do ICE têm autoridade para parar, deter ou prender indivíduos suspeitos de estarem com documentação irregular nos Estados Unidos. Embora sua missão abranja a segurança pública e nacional, seus poderes diferem dos de um policial local. Curiosamente, em circunstâncias limitadas, podem até deter cidadãos americanos, por exemplo, se interferirem em uma prisão ou agredirem um agente.

Uma investigação da ProPublica revelou que, nos primeiros nove meses da presidência de Trump, houve mais de 170 detenções de cidadãos americanos porque agentes suspeitavam que eram imigrantes sem documentos.

O uso da força pelo ICE é regido pela Constituição dos EUA, legislação e diretrizes do DHS. A força letal só é autorizada se o agente tiver "uma crença razoável" de que a pessoa representa uma ameaça iminente de morte ou lesão grave. No entanto, a Suprema Corte concede uma margem de interpretação para decisões tomadas "no calor do momento".

O tiroteio em Minneapolis exemplifica a controvérsia. Enquanto o governo Trump defendeu que o agente agiu em legítima defesa, autoridades locais afirmaram que a vítima, Renee Goode, não representava perigo algum.

Operação, deportações e a opinião pública

O ICE atua principalmente dentro dos Estados Unidos, mas também conta com agentes no exterior. Uma agência irmã, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), cuida do patrulhamento das fronteiras. Sob a atual administração, essas funções têm se tornado mais difusas, com o recrutamento de agentes de várias agências para operações de imigração.

Recentemente, o ICE mobilizou centenas de agentes para cidades como Los Angeles, Chicago e, agora, Minneapolis. A Associated Press informou que até 2.000 agentes federais podem ser enviados para Minneapolis após o tiroteio.

Os números de deportação são expressivos. Entre 20 de janeiro e 10 de dezembro de 2025, a administração destacou que 605 mil pessoas foram deportadas. Além disso, 1,9 milhão de imigrantes teriam deixado o país "voluntariamente" após uma intensa campanha pública.

O encontro com um agente do ICE pode levar desde uma detenção temporária e liberação até a transferência para um centro de detenção maior e eventual deportação.

A opinião dos americanos sobre o ICE e a política de imigração de Trump é complexa. Uma pesquisa do Pew Research Center de outubro de 2025 mostrou que mais da metade da população acredita na necessidade de algum controle. No entanto, cerca de 53% dos adultos consideravam que o governo estava exagerando nas deportações, com apenas 36% apoiando plenamente a abordagem.

Em um episódio paralelo que mistura política externa e imigração, o presidente Trump publicou na rede Truth Social, em 12 de janeiro de 2026, uma imagem em que se autoproclama presidente da Venezuela, referindo-se à captura de Nicolás Maduro e apoiando a atuação de Delcy Rodríguez.