Kamala Harris condena captura de Maduro por EUA e chama ação de ilegal
Harris critica captura de Maduro por Trump como ilegal

A ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, emitiu uma forte condenação à captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, por forças norte-americanas. Em uma publicação na rede social X, a democrata classificou a ação militar ordenada pelo governo de Donald Trump como "ilegal" e "imprudente".

Críticas de Harris à ação de Trump

Em sua avaliação pública, Harris afirmou que as ações do presidente Trump "não tornam a América mais segura, mais forte ou mais acessível". Ela reconheceu que Maduro é um "ditador brutal e ilegítimo", mas foi enfática ao ressaltar que este fato não justifica uma operação que considera fora da lei e de alto risco.

"Já vimos esse filme antes", escreveu Harris, fazendo uma analogia a intervenções passadas. "Guerras por mudança de regime ou por petróleo são vendidas como força, mas acabam se transformando em caos, e as famílias americanas pagam o preço", alertou. A democrata acrescentou que o povo americano não deseja esse tipo de ação e está cansado de ser enganado.

Harris foi além e acusou Trump de motivações políticas. "Não se trata de drogas ou democracia. Trata-se de petróleo e do desejo de Donald Trump de se apresentar como um líder forte na região", disparou. Ela argumentou que, se o republicano realmente se importasse com esses temas, não teria perdoado um traficante de drogas condenado nem marginalizado a oposição legítima venezuelana enquanto buscava acordos com aliados de Maduro.

Detalhes da operação militar e captura

A operação que desencadeou a reação de Harris ocorreu na madrugada de sábado. Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados em sua residência oficial e retirados à força da Venezuela. O líder venezuelano enfrenta acusações formais dos EUA por crimes como narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e delitos com armas automáticas.

A captura foi precedida por uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, que incluiu ataques aéreos em várias regiões do país, inclusive na capital Caracas. Moradores relataram explosões e intensa movimentação de aeronaves militares durante a ação. Posteriormente, o presidente Donald Trump confirmou a captura após um "ataque em grande escala".

O caminho de Maduro até uma prisão em Nova York

Após a detenção, o casal presidencial teve um destino traçado em etapas. Eles foram inicialmente transportados para a base naval de Guantánamo a bordo do navio de guerra norte-americano USS Iwo Jima. A viagem continuou até o território continental dos EUA.

Maduro e Flores chegaram a Nova York no fim da tarde de sábado, a bordo de um avião militar Boeing 757 que pousou no aeroporto internacional Stewart. No desembarque, agentes do FBI e da DEA, entre outras agências federais, entraram na aeronave para assumir a custódia.

O presidente venezuelano foi então encaminhado ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC), uma prisão federal localizada no Brooklyn, onde passou sua primeira noite sob custódia norte-americana. Sua esposa, Cilia Flores, uma figura poderosa no governo venezuelano, também segue detida.

Conclusão e alerta sobre desestabilização

Em suas críticas finais, Kamala Harris acusou Trump de colocar "as tropas em risco" e de "desestabilizar uma região" com a ação militar. Ela defendeu uma mudança de prioridades na liderança norte-americana.

"A América precisa de uma liderança cujas prioridades sejam reduzir os custos para as famílias trabalhadoras, impor o Estado de Direito, fortalecer alianças e, acima de tudo, colocar os americanos em primeiro lugar", concluiu a ex-vice-presidente, encerrando sua mensagem com um claro posicionamento contra a política externa intervencionista adotada na Venezuela.