Analista: Arábia Saudita e Israel unidos pelo fim do regime iraniano
Fragilidade do Irã une rivais históricos, diz especialista

Em meio a tensões geopolíticas crescentes, a fragilidade do regime no Irã tornou-se um ponto de convergência para dois rivais históricos no Oriente Médio: Arábia Saudita e Israel. A análise é do economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena, que concedeu entrevista ao Conexão Record News nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026.

Diplomacia em jogo, mas ameaça militar persiste

A Casa Branca, sob o comando de Donald Trump, afirmou que ainda considera a possibilidade de realizar ataques aéreos contra o Irã. Contudo, a porta-voz do governo norte-americano declarou que, por enquanto, a prioridade segue sendo a via diplomática. Do lado iraniano, o chanceler do país reafirmou que o Irã não busca uma guerra, mas está completamente preparado para ela caso seja necessário.

Para o especialista Igor Lucena, a resolução diplomática do impasse ainda é viável. Ele atribui essa possibilidade, em parte, à fragilidade interna do regime iraniano. "Desde os ataques americanos e israelenses, nós assistimos que uma parte do regime mostrou uma incapacidade de manter o controle dentro das principais cidades", observou Lucena.

Crise econômica e apelos por mudança

Lucena destacou que a situação interna do Irã é agravada por uma severa crise econômica. O especialista apontou o aumento da inflação e a maxidesvalorização do rial, a moeda nacional, como fatores que colocam a economia "em frangalhos".

"As chamadas guildas comerciais agora pedem uma mudança de regime. E o que a sociedade analisa é que não é possível manter o regime dessa maneira, não há solução para uma melhora na qualidade de vida", explicou o analista durante a entrevista. Essa pressão econômica interna cria um terreno fértil para o descontentamento popular.

Interesse regional inesperado

O ponto mais marcante da análise de Igor Lucena é a união de interesses entre nações tradicionalmente antagônicas. Segundo ele, a debilidade do Irã criou um objetivo comum para Arábia Saudita e Israel.

"A fragilidade hoje do Irã une dois países que historicamente não têm laços e são muitas vezes até rivais, que são árabes da Arábia Saudita e israelenses em Israel. Os dois hoje têm o total interesse no fim do regime iraniano", afirmou Lucena.

O analista também mencionou que a comunidade internacional passou a perceber com mais clareza o apoio iraniano a grupos como o Hamas e o Hezbollah, o que aumentou o isolamento do país. Sobre o líder supremo Ali Khamenei, Lucena foi taxativo: "Ali Khamenei não tem mais condições de governar". Ele comparou uma eventual captura do líder iraniano à de Nicolás Maduro, mas ponderou que a forte defesa militar ao redor de Khamenei tornaria uma operação desse tipo extremamente difícil.

Por fim, o especialista levantou a hipótese de que um eventual ataque militar ao Irã poderia não partir diretamente dos Estados Unidos, mas sim de potências regionais com interesse direto na queda do regime atual: Arábia Saudita ou Israel.