O cenário político da Venezuela entrou em colapso neste fim de semana após uma ação militar surpresa liderada pelos Estados Unidos. A operação resultou na captura e extradição do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que agora aguardam julgamento em Nova York.
Reação furiosa do herdeiro político
Nicolás Maduro Guerra, filho do casal e deputado da Assembleia Nacional, reagiu com indignação ao episódio. Em uma mensagem de áudio divulgada nas redes sociais no domingo, 4 de janeiro de 2026, o político de 35 anos lançou um apelo inflamado à resistência. "Não vão nos ver fracos", declarou, convocando a população para ir às ruas e enfrentar o que chamou de "agressão externa".
Em suas palavras, carregadas de emoção, Maduro Guerra fez insinuações graves sobre uma possível traição dentro do próprio movimento chavista. "A história dirá quem foram os traidores, a história revelará. Veremos", afirmou, sugerindo que o pai pode ter sido entregue por aliados próximos. A autenticidade da gravação foi confirmada por seus assessores ao jornal venezuelano El Cooperante.
Chamado à união e transição de poder
O deputado, que representa o estado de La Guaira pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), garantiu que a sigla permanecerá unida diante da crise. Ele enfatizou a necessidade de "coordenação política e militar" e pediu mobilizações de rua para fortalecer a nova liderança.
Isso porque, com a prisão de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez deve assumir o cargo de presidente interina do país. A posse estava marcada para a tarde desta segunda-feira, 5 de janeiro. "Estamos bem, estamos calmos. Vocês nos verão nas ruas... Eles querem nos ver fracos; vamos erguer as bandeiras da dignidade", discursou o filho do ex-líder na gravação.
Detenção nos EUA e acusações graves
Enquanto o filho mobiliza apoiadores na Venezuela, os pais enfrentam a justiça americana. Maduro e Cilia Flores estão detidos nos Estados Unidos desde sábado, 3 de janeiro. Eles devem comparecer perante um tribunal federal no Distrito Sul de Nova York nesta segunda-feira, às 12h no horário local (14h em Brasília).
As acusações são severas: "narcoterrorismo e conspiração para tráfico de drogas". Segundo o governo norte-americano, a operação de sábado foi um "ataque em larga escala contra a Venezuela", envolvendo agências de inteligência e forças policiais.
Os detalhes da captura são dramáticos. O casal foi retirado à força de sua residência em Caracas, levado para o navio de guerra USS Iwo Jima e, posteriormente, transportado de avião para os Estados Unidos. Eles chegaram a Nova York na tarde de sábado para enfrentar os processos criminais.
O episódio marca um ponto de inflexão na política venezuelana, com o chavismo forçado a uma sucessão de emergência e uma resposta popular ainda incerta ao chamado de resistência feito pelo herdeiro político da família Maduro.