EUA declaram 'Este é o nosso hemisfério' após captura de Maduro
EUA reafirmam tutela após captura de Maduro

Um dia após a operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, o governo dos Estados Unidos adotou um tom de confronto direto e reafirmou sua postura de força sobre a América Latina. Através de uma publicação provocativa nas redes sociais, o Departamento de Estado deixou claro que não tolerará ameaças à sua segurança no Hemisfério Ocidental.

Uma mensagem carregada de simbolismo

Na tarde desta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a conta oficial do Departamento de Estado dos EUA na plataforma X (antigo Twitter) divulgou uma imagem em preto e branco do presidente Donald Trump acompanhada da frase "Este é o nosso hemisfério". A palavra "nosso" foi destacada em vermelho, em um claro apelo emocional e nacionalista. A mensagem foi publicada em inglês e espanhol, atingindo diretamente o público latino-americano.

Na legenda, a postagem associou a operação na Venezuela à estratégia de segurança de Trump, afirmando que o presidente não permitirá que a região se torne uma base para narcotraficantes, aliados do Irã ou quaisquer "regimes hostis" aos interesses norte-americanos. A Casa Branca rapidamente endossou o tom, atribuindo a frase ao secretário de Estado, Marco Rubio, que deu várias entrevistas ao longo do dia.

Ecos históricos e reações imediatas

Analistas políticos foram rápidos em apontar que a retórica utilizada remete diretamente à Doutrina Monroe, princípio do século XIX pelo qual os Estados Unidos se autoproclamam guardiões políticos do continente americano. Para veículos como The New York Times e BBC, o discurso marca uma guinada ainda mais dura e unilateral da política externa americana para a América Latina no segundo mandato de Trump.

Do lado venezuelano, a resposta foi rápida. Poucas horas após a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado, 3 de janeiro, o Tribunal Supremo de Justiça nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina. As Forças Armadas venezuelanas reconheceram a decisão e prometeram apoio à nova liderança por um período inicial de 90 dias, buscando garantir uma transição de poder.

Isolamento internacional e incerteza interna

A ação militar unilateral dos EUA gerou uma onda de críticas no cenário global. Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia classificaram a operação como "ilegal" e "imperialista". Vários países latino-americanos, incluindo o Brasil, expressaram profunda preocupação com a violação da soberania da Venezuela e o perigoso precedente estabelecido.

Segundo a chancelaria brasileira, o episódio aprofunda a instabilidade regional. Internamente, a Venezuela vive um clima de apreensão. Há relatos de aumento da presença militar nas ruas de Caracas, filas em postos de gasolina e temor de novos confrontos. A crise política, que se arrasta desde a eleição contestada de 2024, entrou em uma fase completamente nova e imprevisível com a retirada forçada de Maduro.

Em sua primeira audiência em Nova York, tanto Maduro quanto Cilia Flores se declararam inocentes das acusações de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Maduro ainda afirmou se considerar o "presidente legítimo" da Venezuela e um "prisioneiro de guerra".

Enquanto isso, o presidente Donald Trump, ao ser questionado, declarou que os Estados Unidos estão "no comando" da situação no país vizinho, embora tenha evitado afirmar explicitamente que Washington governa a Venezuela. A captura do líder chavista parece marcar não apenas um ponto de ruptura na crise venezuelana, mas também um reordenamento tenso das relações de poder em todo o continente.