Políticos brasileiros de esquerda se manifestaram de forma contundente neste sábado (3) contra os ataques militares realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela. A ofensiva, que incluiu bombardeios em Caracas e outras regiões, levou o país caribenho a declarar estado de emergência nacional.
Condenação unânime de partidos de esquerda
Em notas oficiais e publicações nas redes sociais, parlamentares e legendas classificaram a ação norte-americana como uma grave violação do direito internacional. O Partido dos Trabalhadores (PT) emitiu uma nota na qual condena o que chamou de "agressão militar" e "sequestro" do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
"O bombardeio em Caracas e o sequestro do presidente configuram a mais grave agressão internacional registrada na América do Sul no século 21", afirmou o partido. A bancada do PT na Câmara dos Deputados também emitiu repúdio, reforçando os princípios de soberania e não-intervenção.
Parlamentares apontam interesse no petróleo
Vários deputados vinculam a ação militar aos interesses econômicos dos Estados Unidos sobre as vastas reservas de petróleo venezuelanas. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a "escalada de guerra do governo Trump chega ao nosso continente em busca do controle político regional e do petróleo".
Ela lembrou que a Venezuela detém cerca de 17% das reservas globais de petróleo. Na mesma linha, a líder do PSOL na Câmara, Talíria Petrone, declarou: "Trump já deixou claro: quer as reservas de petróleo da Venezuela, não tem interesse em aprofundar a democracia naquele país".
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi além e classificou a ação como "terrorismo de Estado" para controlar as reservas. Ele cobrou uma manifestação urgente do presidente Lula condenando o ocorrido.
Ataques e situação na Venezuela
O governo venezuelano afirmou que sofreu uma "agressão militar" dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outros estados como Miranda, Aragua e La Guaira. Diante da situação, foi decretado estado de emergência e houve mobilização das forças de defesa do país.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados e levados para fora do país, mas ainda não há informações oficiais que confirmem o paradeiro do líder venezuelano.
O Partido Socialista Brasileiro (PSB), em sua nota, repudiou a ação norte-americana por desrespeitar o direito internacional, mas reiterou suas críticas ao regime de Maduro, ponderando que "nenhuma agressão externa pode ser justificada por erros internos de um regime".
A posição geral da esquerda brasileira é de defesa da soberania, autodeterminação dos povos e da solução pacífica de controvérsias, considerando o ataque um precedente perigoso para a estabilidade de toda a América do Sul.