A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, protagonizou uma semana de encontros de alto nível que colocam os holofotes internacionais sobre o futuro político de seu país. A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 reuniu-se com o Papa Leão XIV e tem um encontro agendado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Encontro no Vaticano com o Papa Leão XIV
O Vaticano confirmou, através de um comunicado oficial, que o Papa Leão XIV recebeu María Corina Machado em audiência privada nesta segunda-feira, dia 12 de dezembro de 2025. O encontro constava na agenda do pontífice, mas detalhes sobre o conteúdo da conversa não foram divulgados imediatamente pela Santa Sé.
Anteriormente, o Papa já havia se manifestado sobre a situação na Venezuela, especialmente após a ação americana que levou à captura do presidente Nicolás Maduro. Na ocasião, o líder religioso fez um apelo para que a Venezuela permanecesse um país independente, demonstrando a preocupação da Igreja Católica com os rumos da nação sul-americana.
Trump confirma reunião em Washington
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou que irá se encontrar com María Corina Machado em Washington na semana que vem. A confirmação foi dada em uma entrevista à emissora Fox News, na última quinta-feira, dia 8 de dezembro.
"Entendo que ela virá em algum momento na próxima semana. Estou ansioso para cumprimentá-la", afirmou Trump. No entanto, o republicano, que se aliou à vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, após a captura do presidente venezuelano, já havia deixado claro que não apoia uma eventual candidatura de Machado ao governo.
Logo após confirmar a captura de Maduro, no sábado, dia 3, Trump descartou apoiar a líder oposicionista, declarando que ela "é uma mulher muito simpática", mas "não tem o apoio nem o respeito do país".
A polêmica do Prêmio Nobel da Paz
O anúncio do Nobel da Paz para María Corina Machado, em 2025, continua a gerar reações. Na mesma entrevista à Fox News, Trump demonstrou frustração com a decisão do comitê norueguês, após ter feito "campanha" para receber o prêmio por meses.
Dias antes, ao falar com a mesma emissora, a própria Machado afirmou que gostaria de entregar o Nobel a Trump, em reconhecimento ao seu empenho em devolver a democracia à Venezuela. Questionado sobre a declaração, o presidente americano respondeu: "Ouvi dizer que ela queria fazer isso. Seria uma grande honra".
Trump também voltou a criticar o comitê do Nobel e a Noruega, apesar do país garantir que não tem influência alguma no resultado. "Essa é a posição do comitê. É muito vergonhoso para a Noruega. Tiveram algo a ver ou não. Acho que sim. Dizem que não. Mas quando oito guerras foram encerradas, deveria receber um para cada uma", lamentou.
Procurado pela agência de notícias AFP para comentar as falas de Trump e Machado, o Instituto Nobel foi taxativo. Um porta-voz da instituição, Erik Aasheim, declarou: "Um Prêmio Nobel não pode ser revogado ou transferido para outra pessoa. Uma vez anunciado o(s) vencedor(es), a decisão permanece para sempre".
Os encontros de María Corina Machado ocorrem em um momento crucial. A líder oposicionista havia concedido uma coletiva de imprensa em Oslo, Noruega, no dia 11 de dezembro, um dia antes de sua audiência com o Papa, para falar sobre a premiação e a situação em seu país.
As movimentações diplomáticas envolvendo a Venezuela indicam que, mesmo com a captura de Nicolás Maduro, o cenário político permanece complexo e sujeito a intensas negociações e disputas de influência no cenário internacional.