Dinamarca reforça presença militar na Groenlândia após ameaças de Trump
Dinamarca aumenta tropas na Groenlândia após Trump

Em um movimento de resposta às recentes ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Dinamarca anunciou o reforço da sua presença militar na Groenlândia. A ação, coordenada com aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marca uma escalada nas tensões geopolíticas na estratégica região do Ártico.

Resposta Militar Imediata

Na noite de quarta-feira, 14 de janeiro, um avião da Força Aérea Real da Dinamarca pousou no aeroporto de Nuuk, capital da Groenlândia. Testemunhas, incluindo um repórter da agência Reuters, observaram militares em uniformes de campanha desembarcando da aeronave. Segundo o Comando Ártico Conjunto dinamarquês, o objetivo das Forças Armadas é apoiar a preparação para atividades de exercícios militares na área.

O governo dinamarquês e as autoridades da Groenlândia confirmaram, ainda na quarta-feira, o início do aumento da presença militar tanto no território autônomo quanto em seus arredores. A medida está sendo realizada em estreita cooperação com países aliados.

Aliados da Otan Entram em Cena

A Dinamarca não está agindo sozinha. Alemanha, França, Suécia e Noruega também anunciaram, na mesma quarta-feira (14), o envio de soldados para a Groenlândia. As tropas devem começar a chegar ao território já na quinta-feira, dia 15 de janeiro.

Um porta-voz do governo alemão detalhou que militares de reconhecimento serão deslocados para a ilha. O Ministério da Defesa da Alemanha afirmou que a missão foi solicitada pela Dinamarca com o duplo propósito de avaliar possíveis contribuições militares futuras e reforçar a segurança regional.

O presidente francês, Emmanuel Macron, foi além e anunciou a participação de tropas francesas em exercícios militares conjuntos organizados pela Dinamarca, batizando a operação de "Resistência Ártica".

Ameaças de Trump Acionam Alerta

O catalisador desta movimentação militar foram as declarações repetidas de Donald Trump, que na quarta-feira reiterou que os Estados Unidos "precisam" da Groenlândia. Ele afirmou que não se pode confiar na Dinamarca para proteger a ilha, embora tenha sugerido que "algo vai dar certo" em relação ao futuro do território.

Nas semanas anteriores, Trump vinha afirmando que a Groenlândia é vital para a segurança nacional americana, argumentando que os EUA precisam controlar o território para impedir uma eventual ocupação por parte da Rússia ou da China. O ex-presidente americano deixou claro que "todas as opções estão sobre a mesa" para garantir o controle da ilha, e a Casa Branca, sob sua administração, não descartou uma ação militar.

Diálogo Tenso em Washington

Enquanto as tropas se mobilizavam, autoridades da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram em Washington com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. Após o encontro, um alto representante dinamarquês admitiu que permanece um "desacordo fundamental" com Trump sobre o futuro da Groenlândia.

Como forma de contornar o impasse, os dois lados concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir as preocupações de segurança dos Estados Unidos. No entanto, a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, foi enfática: o território deseja fortalecer a cooperação com os EUA, mas não aceita ser controlado por Washington.

A Groenlândia, a maior ilha do mundo, possui autonomia interna, mas sua defesa e relações exteriores ainda são geridas pela Dinamarca. A região ganhou importância geopolítica devido às mudanças climáticas, que abrem novas rotas marítimas e acesso a recursos naturais, atraindo o interesse de grandes potências.