Coreia do Norte testa míssil hipersônico sob supervisão de Kim Jong-un
Coreia do Norte testa míssil hipersônico antes de congresso

A Coreia do Norte realizou, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, um novo teste de um sistema de míssil hipersônico. O lançamento foi acompanhado pessoalmente pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, e ocorre em um momento de crescente atividade militar do regime, pouco antes da realização do congresso do Partido dos Trabalhadores, o primeiro em cinco anos.

Detalhes do Teste e Declarações do Líder

De acordo com a agência de notícias estatal KCNA, o exercício militar teve como objetivo principal avaliar a prontidão operacional das tropas de mísseis do país. Além disso, o teste buscou aprimorar a capacidade ofensiva das forças e verificar a eficácia do sistema de dissuasão nacional.

Durante a atividade, Kim Jong-un afirmou que os resultados confirmaram avanços tecnológicos estratégicos para a defesa da Coreia do Norte. O líder reiterou a necessidade de acelerar a modernização do arsenal militar, com foco especial no desenvolvimento de armamentos ofensivos. Ele justificou a estratégia citando "a recente crise geopolítica e os complexos eventos internacionais" como fatores que, em sua visão, exigem o fortalecimento do poderio bélico norte-coreano.

Contexto Regional e Reações Internacionais

O anúncio feito por Pyongyang veio apenas um dia após a Coreia do Sul e o Japão terem detectado e relatado múltiplos lançamentos de mísseis balísticos provenientes do território norte-coreano. As autoridades em Seul classificaram imediatamente as ações como provocações.

A movimentação militar coincidiu com a visita do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, à China, onde ele participa de uma cúpula com o líder chinês, Xi Jinping. Espera-se que o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte seja um dos temas centrais nas discussões entre os dois países.

Especialistas em defesa alertam que, se Pyongyang conseguir colocar em operação plena armas hipersônicas, o regime ganhará uma capacidade significativamente maior de contornar os sistemas de defesa antimísseis dos Estados Unidos e de seus aliados na Ásia, alterando o equilíbrio de poder na região.

Estratégia de Exibição de Força Antes do Congresso

O teste com o míssil hipersônico não é um evento isolado. Nas últimas semanas, o governo norte-coreano também anunciou uma série de outros desenvolvimentos militares, incluindo:

  • Testes de mísseis de cruzeiro de longo alcance.
  • Apresentação de novos sistemas antiaéreos.
  • Divulgação de imagens que sugerem progressos na construção do primeiro submarino de propulsão nuclear do país.

Analistas interpretam essa sequência de anúncios como parte de uma estratégia calculada para exibir conquistas concretas no setor de defesa antes da abertura do congresso do partido governista, que é o principal evento político do regime.

O endurecimento do discurso de Kim Jong-un também se insere em um cenário de tensão internacional elevada, particularmente após a recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na queda do presidente Nicolás Maduro. Pyongyang condenou veementemente a ação americana, descrevendo-a como uma evidência da "natureza desonesta e brutal" de Washington.

Para muitos observadores, a crença central do líder norte-coreano é de que a ampliação contínua do arsenal nuclear é um elemento indispensável para garantir a sobrevivência de seu governo e a soberania do Estado, frente ao que ele considera serem hostilidades persistentes lideradas pelos Estados Unidos e seus parceiros.