O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) realizará uma sessão de emergência nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, para discutir a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos. A operação militar ocorreu dois dias antes, no sábado, 3 de janeiro, em território venezuelano, gerando uma crise diplomática internacional.
Reunião Emergencial e Posições Internacionais
A reunião está marcada para as 10h em Nova York (12h em Brasília). O porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, confirmou o encontro e a divulgação da lista de oradores. Guterres já se declarou "profundamente alarmado com a recente escalada na Venezuela", classificando a ação americana como um "precedente perigoso".
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi o primeiro a solicitar a sessão de emergência. O pedido também foi formalizado pela própria Venezuela, com o apoio imediato de China e Rússia, membros permanentes do Conselho. Em uma carta enviada no sábado, o governo venezuelano acusou os EUA de "ataques armados brutais, injustificados e unilaterais" contra alvos civis e militares, violando a Carta da ONU.
O texto venezuelano invocou o Artigo 2(4) da Carta, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial de qualquer Estado, e reafirmou o direito à autodefesa. O país pede que o Conselho condene a agressão e responsabilize Washington.
Participações e Paralelo Histórico
Espera-se que a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, faça um pronunciamento. Além dos Estados membros, dois representantes da sociedade civil – um indicado pelos EUA e outro pela China e Rússia – também devem se dirigir ao Conselho.
Além da Venezuela, países da região como Argentina, Brasil, Cuba e México devem participar do debate. Enquanto aliados tradicionais de Washington expressaram preocupação, adotaram um tom mais cauteloso em suas declarações públicas.
Analistas apontam um paralelo histórico com a invasão americana do Panamá em 1989, que resultou na deposição do general Manuel Noriega. Na ocasião, um projeto de resolução no Conselho de Segurança condenando a ação foi vetado por França, Reino Unido e pelos próprios Estados Unidos. Como membro permanente, Washington tem poder de veto para bloquear qualquer texto que condene sua operação na Venezuela.
Audiência Judicial de Maduro em Nova York
Poucas horas após a reunião na ONU, às 14h do mesmo dia, Nicolás Maduro e sua esposa comparecerão à sua primeira audiência judicial perante um tribunal federal em Nova York. Eles serão apresentados ao juiz Alvin K. Hellerstein para responder a uma série de acusações graves.
As acusações incluem:
- Narcotráfico
- Posse ilegal de armas
- Narcoterrorismo
Este será o primeiro contato formal do líder venezuelano com o sistema de justiça americano desde sua captura, em um caso que mistura geopolítica, direito internacional e acusações criminais de alto nível.
O desfecho da reunião no Conselho de Segurança e os trâmites judiciais em Nova York definirão os próximos capítulos dessa crise sem precedentes, que já divide a comunidade internacional e reacende debates sobre soberania e intervenção.